Estudantes em Valladolid, México: Políticas centradas na educação das meninas aumentam as chances de que elas ingressem na força de trabalho (foto: kertu_ee/iStock by Getty Images).

Estudantes em Valladolid, México: Políticas centradas na educação das meninas aumentam as chances de que elas ingressem na força de trabalho (foto: kertu_ee/iStock by Getty Images).

Gráfico da semana: A educação de meninas e mulheres promove a igualdade

28 de agosto de 2018

As políticas públicas têm incentivado a participação feminina na força de trabalho. Contudo, na maioria dos países, as mulheres ainda representam uma parcela menor da força de trabalho em comparação aos homens. Entre as muitas opções de políticas, como educação e direitos legais, quais são aquelas que produzem os melhores resultados na redução da desigualdade entre homens e mulheres?

Nosso gráfico da semana, baseado num recente estudo do FMI, mostra que as políticas que reduzem a disparidade de gênero na educação são as mais eficazes em todas as regiões.

Ao analisar os dados de 1980-2014, o estudo constatou que a educação contribuiu para reduzir a disparidade de gênero na América do Norte em 47 pontos percentuais— mais do que em qualquer outra região, uma vez que a uma média de anos de escolaridade das mulheres é muito maior. A Europa e a Ásia Central conseguiram baixar a diferença em mais de 41 pontos percentuais; a Ásia Oriental e o Pacífico, em mais de 35 pontos percentuais. O Sudeste Asiático e a África Subsaariana podem ainda recuperar terreno, tendo ambas reduzido a diferença em 16 pontos percentuais.

Educate girls chart

Ao comparar o desempenho das regiões no período analisado, verifica-se que a maioria conseguiu também diminuir as diferenças na participação na força de trabalho em mais de 10 pontos percentuais, em média, por meio das suas instituições jurídicas e da igualdade de direitos legais para as mulheres. A solidez das instituições jurídicas — como cortes supremas, parlamentos e chefias de Estado — medida em função do controle da corrupção, bem como a classificação de risco econômico de cada país, são outros fatores importantes para o aumento da participação feminina na força de trabalho.

A igualdade de direitos legais para as mulheres, especificamente a igualdade de direito à herança, também ajudou a reduzir as disparidades nesses países. A exceção é o Oriente Médio e Norte da África, uma região que ainda concentra um número relativamente grande de restrições legais impostas às mulheres.

A infraestrutura — especialmente a melhoria das instalações sanitárias — pode ser fundamental nos países menos desenvolvidos. A melhoria das condições de saneamento, como o acesso a água corrente e a eletricidade, reduz o tempo gasto nas tarefas domésticas e amplia as chances de ingressar no mercado de trabalho. O Sudeste Asiático e a África Subsaariana podem recuperar terreno em relação às outras regiões.

Apesar dos grandes avanços nos últimos anos para reduzir as disparidades de gênero, na maioria dos países as mulheres ainda não participam da força de trabalho na mesma proporção que os homens. O acesso das mulheres à educação, aos serviços sociais e financeiros e aos direitos legais ainda é, no melhor dos casos, limitado, sobretudo nos mercados emergentes e países de baixa renda.

Essas diferenças resultam em menor poder econômico para as mulheres, menores índices de poupança e pensões e menor crescimento e desenvolvimento econômico nesses países.

Há uma margem considerável para políticas públicas que reduzam a disparidade de gênero no mercado de trabalho. Entre as políticas econômicas que podem estimular a igualdade entre os gêneros destacam-se:

Educação

As meninas devem ir à escola e concluir seus estudos.

Políticas fiscais

Melhorar a infraestrutura, especialmente as instalações sanitárias nos países de baixa renda.

Campanhas e políticas sociais

Reduzir a fertilidade de adolescentes e elevar a idade mínima para se casar, para manter as meninas na escola.