Se tiverem acesso a serviços de cuidados infantis econômicos e de alta qualidade, as famílias podem decidir ter mais filhos (foto: Franziska Kraufmann/dpa/Newscom).

Se tiverem acesso a serviços de cuidados infantis econômicos e de alta qualidade, as famílias podem decidir ter mais filhos (foto: Franziska Kraufmann/dpa/Newscom).

Gráfico da semana: Menos bebês – como as crises afetam a fecundidade

15 de novembro de 2018

A crise financeira mundial da última década e a recessão que se seguiu deixaram cicatrizes que irão marcar o crescimento futuro por muito tempo, de várias formas.

Segundo a edição de outubro do World Economic Outlook, há sinais de que a crise pode ter tido efeitos de longo prazo sobre o crescimento econômico potencial devido a seu impacto nas taxas de fecundidade e migração, bem como na desigualdade de renda.

Nosso gráfico da semana mostra que nos 10 anos anteriores à crise a taxa de fecundidade – uma estimativa do número de filhos que uma mulher terá ao longo da vida – aumentou em diversas economias avançadas, mas caiu desde então.

Nos Estados Unidos, a taxa baixou da máxima de 2,12 em 2007 para 1,8 em 2016. Entre os países europeus que sofreram uma dupla recessão, como Espanha e Grécia, as taxas de fecundidade caíram de 1,5 para cerca de 1,3 no mesmo período.

Dados dos países da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que a perda de postos de trabalho foi o canal mais importante pelo qual a crise afetou as taxas de fecundidade. Outros estudos revelam que mudanças sociais complexas – como a maior participação da mulher na força de trabalho e a preferência por famílias menores –, além de cortes nos benefícios sociais, poderiam afetar as decisões das mulheres sobre o número de filhos.

As taxas de natalidade persistentemente baixas da última década irão moderar o ritmo de crescimento da força de trabalho desses países no futuro, em prejuízo do crescimento do produto potencial. E, se a imigração diminuir, o menor número de bebês irá exacerbar o problema do envelhecimento e declínio da população de muitos países.

As autoridades de algumas economias avançadas terão de enfrentar essa tendência e buscar formas de incentivar as mulheres a terem filhos. Por exemplo, o maior acesso a serviços de cuidados infantis econômicos e de alta qualidade, políticas trabalhistas favoráveis à família e políticas tributárias que não penalizem famílias com duas fontes de renda podem facilitar a decisão de ter mais filhos.