Barraca de comina numa feira livre da Cidade do México, México: o aumento da criminalidade no país está prejudicando a lucratividade dos pequenos negócios (foto: Jonah_Photos/iStock)

Gráfico da semana: O aumento da criminalidade no México prejudica a economia

18 de dezembro de 2018

Os custos humanos e econômicos da criminalidade no México atingiram seu máximo histórico. O ano de 2017 foi o mais violento já registrado no país, com mais de 25 mil homicídios — um salto de 50% desde 2015. Os economistas normalmente fazem a distinção entre os custos diretos e indiretos associados à criminalidade.

Em nosso gráfico da semana, baseado na mais recente avaliação da economia mexicana, mostramos que mesmo os custos indiretos provavelmente são bastante elevados no país. Segundo pesquisas, muitas empresas sentem que não têm outra escolha a não ser cancelar planos de expansão e rotas de distribuição ou reduzir o horário de funcionamento devido à preocupação crescente com a segurança.

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A criminalidade prejudica o crescimento das empresas

Como mostra o gráfico, a atividade econômica das microempresas — os mais de 95% dos negócios mexicanos que empregam entre 1 e 10 funcionários, como as padarias familiares — é a mais vulnerável. Cerca de 13% das microempresas afetadas pela criminalidade cancelaram seus planos de expansão, enquanto cerca de um quinto reduziu o horário de funcionamento.

Prevenção e perdas aumentam os custos

Somam-se a isso os custos diretos. Para o conjunto das famílias e empresas, os custos diretos da criminalidade, como as medidas preventivas e as perdas, chegaram a assombrosos 2,5% do PIB em 2017.

Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Geografia, que estuda o impacto da criminalidade nas famílias e empresas, os custos diretos do crime para as famílias aumentaram de 1,1% do PIB em 2016 para 1,65% em 2017. Para as empresas mexicanas, o INEG relatou que esse custo total foi de 0,9% do PIB.

Nem mesmo as grandes empresas estão a salvo

Embora o crime tenha um impacto desproporcional sobre as microempresas, ele também afeta as de maior porte. A Pemex, a gigante estatal do petróleo e gás, é um exemplo de que nem as grandes empresas estão imunes aos atos ilícitos que prejudicam as operações.

A empresa relata que o número de ligações ilegais a seus oleodutos aumentou cerca de 50% em 2017 em comparação ao ano anterior, ou quase 15 vezes em relação a 2010. A Pemex estima que só o roubo de petróleo custa à empresa US$ 1,6 bilhão ao ano, o que equivale a cerca de 0,14% do PIB.

Essas constatações enfatizam o grave custo humano e econômico associado à criminalidade, e que continua a pesar sobre o objetivo do México de elevar os padrões de vida e reduzir os níveis de pobreza e desigualdade.

A enorme magnitude dos custos econômicos é mais uma das razões pelas quais o combate ao crime deve ser uma prioridade das políticas públicas no México. Formular políticas para reduzir a criminalidade e aplicá-las de forma eficaz não é uma tarefa simples. Contudo, aumentar a eficiência e a qualidade das instituições policiais e judiciais provavelmente será um elemento crítico para o êxito de qualquer pacote de políticas que busque reforçar a segurança no país.

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Christian Saborowski é economista sênior no Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, onde faz parte da equipe do Fundo encarregada do México. Anteriormente, trabalhou nas equipes do Brasil e da Grécia com questões do setor externo e de reestruturação da dívida, além de haver contribuído para uma série de projetos analíticos predominantemente sobre temas ligados às finanças internacionais e à economia monetária. Doutorou-se pela Universidade de Warwick.