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A economia mundial começou 2018 numa nota positiva, mas foi perdendo impulso (foto: scyther5/iStock)

Cinco gráficos que explicam a economia mundial em 2018

21 de dezembro de 2018

A economia mundial começou 2018 numa nota otimista, impulsionada pela recuperação na manufatura e no comércio internacionais ao longo de 2017. À medida que a confiança dos investidores nas perspectivas econômicas globais vacilou, a recuperação perdeu o ímpeto.

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Um dos motivos para essa perda de dinamismo é a aplicação de tarifas pelas maiores economias — sobretudo os Estados Unidos — e de medidas retaliatórias por outras, como a China. A escalada da retórica protecionista fez crescer as incertezas sobre a política comercial, o que afeta as decisões de investimento futuro.

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Apesar dessas medidas, a economia norte-americana cresceu a um ritmo acelerado em 2018, uma vez que os cortes de impostos e o aumento dos gastos estimularam a demanda. Por isso, o Federal Reserve continuou a elevar a taxa básica de juros. Os juros dos títulos de longo prazo subiram menos, porque os investidores acreditam que haja riscos para o crescimento futuro e prezam a segurança dos títulos do Tesouro norte-americano.

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Como as outras grandes economias não acompanharam o ritmo de crescimento e de aumento dos juros dos Estados Unidos, o dólar norte-americano valorizou-se em relação à maioria das outras moedas em 2018.

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Algumas economias de mercados emergentes vulneráveis sentiram a pressão da valorização do dólar e do recuo no nível de risco que os investidores financeiros globais estavam dispostos a aceitar. O custo do endividamento externo aumentou na maioria desses países, mas a extensão desses aumentos foi bastante variada.

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Quer saber como será o desempenho da economia mundial em 2019? Não perca: em 21 de janeiro o FMI vai divulgar suas novas previsões sobre os rumos da economia mundial – World Economic Outlook Update.

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Oya Celasun é Chefe da Divisão de Estudos Econômicos Mundiais do Departamento de Estudos do FMI desde novembro de 2015. Anteriormente, foi chefe de missão do FMI para o Uruguai (2013-14) e membro e subchefe da equipe de economistas responsáveis pelos Estados Unidos e o Canadá (2008-12). Publicou uma série de estudos acadêmicos e de políticas sobre temas relacionados à sustentabilidade da dívida pública, risco soberano e dívida corporativa, inflação nas economias de mercados emergentes e os custos da imprevisibilidade dos fluxos de ajuda financeira para os países de baixa renda.

Gian Maria Milesi-Ferretti é Subdiretor do Departamento de Estudos do Fundo Monetário Internacional. Entre outras atribuições, supervisiona o trabalho do departamento sobre supervisão multilateral, o que inclui os relatórios sobre as perspectivas da economia mundial (World Economic Outlook) e sobre os efeitos de contágio (Spillover Report). Anteriormente, foi Subdiretor do Departamento do Hemisfério Ocidental e chefe de missão do FMI para os Estados Unidos. É formado em Economia pela Università di Roma La Sapienza (1985) e doutorou-se pela Universidade de Harvard em 1991. Após uma passagem pela London School of Economics, ingressou no FMI em 1993.

É autor de um grande número de estudos em publicações de prestígio nas áreas de fluxos internacionais de capital, integração financeira internacional, sustentabilidade da conta corrente, controles de capital, tributação e crescimento, bem como economia política. Seu estudo “The External Wealth of Nations Mark II” (com Philip Lane) recebeu recentemente o prêmio Bhagwati de melhor estudo publicado no Journal of International Economics no período 2007-2008. Desde 1996, é membro do Centro de Pesquisas de Política Econômica (CEPR) de Londres.

Maurice Obstfeld é Conselheiro Económico e Diretor do Departamento de Estudos do FMI, destacado da Universidade da Califórnia, Berkeley, onde é professor de economia (“Class of 1958”) e antigo diretor da Faculdade de Economia (1998-2001). Professor em Berkeley desde 1991, ocupou anteriormente o cargo de professor titular na Universidade de Columbia (1979-1986) e na Universidade da Pensilvânia (1986-1989), e de professor-convidado em Harvard (1989-90). Recebeu o seu doutoramento em economia no MIT em 1979, depois de frequentar a Universidade da Pensilvânia (licenciatura, 1973) e o King’s College, Universidade de Cambridge (mestrado, 1975).

De julho de 2014 a agosto de 2015, Obstfeld foi membro do Conselho de Consultores Económicos do Presidente Obama. De 2002 a 2014, ocupou o cargo de consultor honorário do Instituto de Estudos Económicos do Banco do Japão. É também membro da Sociedade Econométrica e da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos. Recebeu, entre outras, as seguintes distinções: o prémio Tjalling Koopmans da Universidade de Tilburg, o prémio John von Neumann do Rajk Laszlo College of Advanced Studies (Budapeste) e o prémio do Instituto Bernhard Harms da Universidade de Kiel. Tem participado em diversas conferências de renome, incluindo a conferência anual Richard T. Ely da Associação Económica Americana, a conferência L. K. Jha Memorial do Banco da Reserva da Índia e a conferência Frank Graham Memorial da Universidade de Princeton. Obstfeld foi membro da Comissão Executiva e Vice-Presidente da Associação Económica Americana. Atuou como consultor e ministrou cursos no FMI, assim como em inúmeros bancos centrais de todo o mundo.

É também coautor de duas obras fundamentais sobre economia internacional, International Economics (10.ª edição, 2014, com Paul Krugman e Marc Melitz) e Foundations of International Macroeconomics (1996, com Kenneth Rogoff), assim como de mais de uma centena de artigos sobre taxas de câmbio, crises financeiras internacionais, mercados mundiais de capitais e política monetária.