Top imageO Programa de Avaliação do Setor Financeiro analisa a resiliência do setor financeiro, a qualidade dos quadros regulatórios e de supervisão e a capacidade de administrar e resolver crises financeiras (foto: Easyturn/iStock).

Países na mira das avaliações financeiras do FMI em 2019

15 de janeiro de 2019

 

Em 2019, o FMI concluirá 14 avaliações no âmbito do Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP) . Oito delas são obrigatórias : Austrália, Áustria, Canadá, França, Itália, Polônia, Singapura e Suíça. As outras seis avaliações deste ano são voluntárias: Argélia, Bahamas, Kuwait, Malta, antiga República Iugoslava da Macedônia e Tailândia.

O FSAP compreende uma análise aprofundada do setor financeiro nacional. Trata-se da principal ferramenta para avaliar a estabilidade financeira dos países. O FMI realiza cerca de 12 a 14 avaliações por ano. Desde 2010, os principais setores financeiros do mundo passam por um check-up financeiro obrigatório a cada cinco anos. Nas economias em desenvolvimento e de mercados emergentes, o FMI efetua as avaliações em conjunto com o Banco Mundial . Nessas avaliações conjuntas, o FMI se concentra na estabilidade financeira, enquanto o Banco trata de questões relacionadas ao desenvolvimento financeiro.

A seguir, são apresentados alguns destaques dos países em análise em 2019:

Austrália: Após 27 anos de crescimento econômico ininterrupto, o país enfrenta agora um aumento da dívida das famílias e um acúmulo da exposição ao risco imobiliário em um sistema bancário concentrado. A avaliação passará em revista os riscos e vulnerabilidades do sistema financeiro, levando em conta como os órgãos reguladores tomam medidas para fortalecer a resiliência e reduzir os riscos. A avaliação também examinará a eficácia da supervisão dos bancos, do setor de seguros e do mercado financeiro; os mecanismos para a gestão de crises e o quadro de políticas macroprudenciais, que abrange as políticas destinadas a minimizar o risco financeiro sistêmico.

Canadá: O sistema financeiro canadense é grande e sofisticado, e o país registrou um forte crescimento em meio a perdas limitadas decorrentes do choque nos preços do petróleo de 2015–16, com um desempenho superior ao dos seus pares internacionais. A avaliação examinará a resiliência dos bancos e das seguradoras de créditos imobiliários no contexto do elevado endividamento das famílias, do rápido aumento dos preços no mercado de habitação e da demanda por moradia superior à oferta; os riscos emergentes de atividades não bancárias e de mercado, como seguros e securitização; os possíveis problemas de liquidez sistêmica; e as implicações para a estabilidade financeira decorrentes da interconectividade internacional e do sistema financeiro doméstico. Além disso, a avaliação ressaltará a necessidade de reforçar a supervisão do risco sistêmico e a coordenação entre os principais órgãos reguladores.

França: O grande e sofisticado sistema financeiro francês está posicionado para exercer um papel importante no conjunto do sistema europeu, em vista dos recentes avanços rumo à união bancária e à união dos mercados de capitais na área do euro. A avaliação se concentrará nos testes de estresse e nos riscos de contágio através das fronteiras e entre os vários setores do sistema financeiro (por ex., bancos e seguros). A avaliação também examinará a adequação da supervisão nos setores bancário, de seguros e de fundos de investimento; o quadro de políticas macroprudenciais em vista dos riscos decorrentes da alavancagem e das atividades internacionais das empresas; e a implementação dos novos quadros de supervisão e resolução no setor de seguros.

Itália: Nos últimos anos, o nível de capital mantido pelos bancos na Itália aumentou e, ao mesmo tempo, a qualidade dos ativos melhorou. Contudo, as vulnerabilidades ressurgiram com o recente aumento dos rendimentos dos títulos do governo e a desaceleração da economia. A avaliação examinará os riscos e vulnerabilidades dos bancos, como os decorrentes dos empréstimos do setor empresarial e da exposição a títulos públicos. Também serão objeto de análise a supervisão financeira dos bancos, mercados de títulos e companhias de seguros; o quadro macroprudencial; e a eficácia dos quadros de gestão de crises e insolvência das empresas.

Singapura: O sistema financeiro do país está fortemente integrado aos mercados financeiros internacionais e é um centro financeiro crucial para a região. Recentemente, Singapura registrou um rápido crescimento econômico, sustentado pela abertura da economia, políticas prudentes e prospectivas e instituições fortes. No futuro, o país pretende transformar sua economia e se tornar um centro mundial de inovação tecnológica, inclusive para as fintechs. A avaliação examinará os aspectos da estabilidade das extensas ligações transfronteiriças do setor financeiro e os desafios gerados pela inovação financeira atual e em perspectiva.

Suíça: Desde a avaliação de 2014, a economia suíça se recuperou e o país obteve avanços consideráveis para fortalecer a resiliência dos bancos. A Suíça estabeleceu-se como um centro de fintechs, o que requer a elaboração de novos regulamentos e supervisão para oferecer um apoio eficaz à formulação de políticas. A avaliação se concentrará no regime aplicado aos bancos grandes demais para quebrar, na eficácia da resolução bancária, no quadro macroprudencial e na evolução das fintechs. A avaliação também examinará a eficácia da supervisão, abordando aspectos como seu grau de intrusão na gestão de riscos e controles internos dos bancos.

Tailândia: Os bancos no país respondem por uma fatia considerável do setor financeiro e parecem sólidos. As vulnerabilidades financeiras decorrem do elevado endividamento das famílias e das debilidades em termos de investimento entre as pequenas e médias empresas. A avaliação examinará a resiliência das instituições que captam depósitos a choques macrofinanceiros adversos; a força da supervisão dos bancos, seguradoras e instituições financeiras especializadas (por exemplo, grandes instituições estatais de captação de depósitos); e analisará os quadros macroprudenciais e de gestão de crises.

Além das 14 avaliações a serem concluídas em 2019, 11 ou 13 novas avaliações estão previstas para serem iniciadas neste ano. Cinco se referem a jurisdições sujeitas a avaliações obrigatórias (Coreia, Dinamarca, Estados Unidos, RAE de Hong Kong e Noruega); outras seis (ou mais) a avaliações voluntárias (África do Sul, Chile, Egito, Filipinas, Letônia e Trinidad e Tobago).

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