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(foto: Elijah Lovkoff/GettyImages/iStock)

Grandes negócios: Como mais empresas mexicanas podem tirar proveito da expansão

4 de junho de 2019

Empresas prósperas fazem bem à economia — ajudam a criar empregos, estimular a produtividade e aumentar a renda — e por isso é fundamental que as empresas consigam crescer para colher os benefícios que acompanham o aumento da escala.

Em nosso mais recente estudo, publicado na série Working Papers , analisamos como as empresas mexicanas vêm crescendo com o passar do tempo e constatamos que a maioria delas provavelmente não cresce o suficiente para colher todos os benefícios da expansão de suas operações.

De acordo com o estudo, quase 25 anos depois de se estabelecerem, a grande maioria das empresas não conseguiu nem mesmo dobrar de tamanho. Trata-se de um crescimento muito pequeno em comparação com o visto nas economias avançadas, como os EUA, sobretudo porque a maioria das empresas no México começa com apenas um ou dois funcionários.

A boa notícia é que algumas empresas desafiam as probabilidades e crescem continuamente ao longo de sua vida. Muito da diferença entre essas empresas estelares e seus pares pode ser explicado se examinarmos um pequeno conjunto de desafios em matéria de política.

Tamanho das empresas e desenvolvimento econômico

Por que é importante que as empresas cresçam? A resposta é que existe uma forte associação positiva entre o tamanho das empresas e os níveis de renda entre os países, a qual está bem documentada em estudos anteriores.

Intui-se que, por trás dessa ligação, um dos principais motivos para as empresas não crescerem é a falta de investimento produtivo. Além disso, as empresas que permanecem pequenas não conseguirão tirar partido de economias de escala em suas operações.

Nosso trabalho mostra que esse mesmo vínculo existe no México: quanto maior a empresa média em um determinado estado, maior o nível de renda per capita do estado.

Chart 1

Crescimento ao longo da vida das empresas

Uma constatação empírica importante que confirmamos nesta análise é que as empresas mexicanas crescem muito pouco ao longo de suas vidas.

Chart 2

Ao mesmo tempo, um exame mais detido revela que uma pequena parcela das empresas de alto desempenho cresce de maneira forte e contínua. Embora até mesmo as empresas entre as 10% que mais cresceram ao longo de sua vida tenham apenas dobrado de tamanho, as empresas do 1% superior chegam a alcançar até cerca de cinco vezes seu tamanho inicial (oito vezes no caso das indústrias de transformação), o que supera as taxas de crescimento observadas entre as empresas típicas nos Estados Unidos.

Êxito empresarial

Mas que empresas estelares são essas? Uma simples desagregação por tamanho e ramo de atividade nos mostra que elas tendem a ser muito grandes e a fazer parte de setores envolvidos nas cadeias produtivas norte-americanas. Por exemplo, fabricam carros e peças de automóveis e equipamentos de comunicação ou atuam nos setores de transportes que apoiam o comércio interno e externo.

Se isso implica que apenas as grandes empresas com acesso à cadeia produtiva norte-americana conseguem crescer rapidamente, seria uma má notícia? Não necessariamente. Nossa análise mostra que, a despeito do tamanho e do setor, as empresas mexicanas podem crescer a taxas consideráveis desde que vençam uma série de desafios. Destacam-se a formalização das operações e o acesso a serviços financeiros e, também, a mercados nos grandes centros populacionais. Também é útil ter múltiplos estabelecimentos desde o início e fazer parte de um setor relativamente diversificado.

Para dar uma ideia da pertinência econômica de nossas constatações, a análise prevê que uma empresa que atue na formalidade e tenha uma conta bancária experimentaria uma taxa de crescimento acumulado aproximadamente 140 pontos percentuais superior à registrada por uma empresa informal e sem acesso a serviços financeiros.

Chart 3

Principais políticas

Do ponto de vista das políticas, nossas constatações ressaltam a necessidade de reformas estruturais contínuas.

Isso abrange esforços para reduzir a informalidade e a evasão fiscal, limitar o uso do poder de mercado em setores de forte concentração e fortalecer o acesso a serviços financeiros.

Além disso, investimentos direcionados em infraestrutura podem ajudar a conectar melhor as regiões mais remotas aos grandes centros populacionais do país.