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(foto: Paulo Whitaker/Newscom)

Gráfico da semana: O preço dos bens de capital e a ameaça ao investimento

28 de junho de 2019

Nos últimos 30 anos, os preços de máquinas e equipamentos caíram acentuadamente em relação aos preços em geral, enquanto a expansão do comércio e os enormes avanços tecnológicos resultaram na maior eficiência na produção de bens de capital. Isso ajudou os países em todo o mundo a aumentar o investimento real e melhorar a qualidade de vida.

Contudo, as tensões comerciais e o crescimento anêmico da produtividade poderiam desacelerar o declínio dos preços relativos de máquinas e equipamentos, o que conteria o aumento do investimento em todo o mundo.

Nosso gráfico da semana, extraído da edição de abril do World Economic Outlook , mostra que, desde 1990, os preços de máquinas e equipamentos em relação ao preço do consumo caíram cerca de 40% nas economias em desenvolvimento e de mercados emergentes.

Nas economias avançadas, o recuo foi ainda maior, de cerca de 60%. Trata-se de quedas drásticas em comparação à dos preços de outros tipos de bens de capital, como imóveis residenciais e estruturas comerciais, que acompanharam mais de perto o nível de preço do consumo.

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Segundo estudos do FMI, o comércio internacional tem sido o fator mais importante por trás da queda dos preços de máquinas e equipamentos em relação ao preço do consumo. E a queda nos preços dos bens de capital, por sua vez, deu um impulso considerável ao investimento real.

A análise do FMI revela que, no caso de uma economia em desenvolvimento e de mercado emergente típica, cerca de um terço do aumento da taxa de investimento real em máquinas e equipamentos nas últimas três décadas pode ser atribuído ao barateamento dos bens de capital em relação ao consumo, enquanto políticas macroeconômicas mais sólidas e outros fatores contribuíram para o restante desse aumento.

Para todas as economias, evitar medidas protecionistas e redinamizar a liberalização do comércio ajudaria a manter o ritmo da queda dos preços relativos dos bens de capital, o que daria um impulso ao fraco crescimento do investimento nas economias avançadas e apoiaria o aprofundamento do capital ainda tão necessário nos países em desenvolvimento. Promover a inovação no setor de produção de bens de capital, tanto nos mercados avançados como nas economias em desenvolvimento e de mercados emergentes, também é essencial.