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(foto: GCShutter/iStock by Getty Images)

O voto pela paridade de género

17 de setembro de 2019

A violência eleitoral é um fenómeno que ocorre em muitos países africanos. Tragicamente, milhares de pessoas são mortas e deslocadas durante os ciclos eleitorais no continente. No próximo ano e meio serão realizadas eleições presidenciais em 13 países da África Subsariana, o que suscita receios de que, tal como no passado, voltem a acontecer incidentes ou conflitos. Mas o que as nações africanas podem fazer para minimizar a violência eleitoral?

O nosso gráfico da semana, extraído de investigação recente do FMI, sugere que a participação das mulheres na força de trabalho poderá reduzir a possibilidade de violência eleitoral em África. Quase metade das pessoas inquiridas afirma que teme se tornar vítima desse tipo de violência. Este número cai cerca de 25% quando a participação de mulheres na força de trabalho em relação aos homens aumenta 5 pontos percentuais.

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Assim sendo, podem as mulheres se tornar a força motriz de eleições democráticas e pacíficas em África? Qualquer tipo de exclusão é aquém do ideal ou, como diriam os economistas, “subótima”. As mulheres são parceiras cruciais na geração de coesão social e legitimidade política. A sua participação na força de trabalho e em diferentes níveis de decisão ajuda a garantir que mais segmentos da população são ouvidos e que essas vozes se envolvem na prevenção da violência eleitoral e na pacificação do processo.

Contudo, em algumas nações africanas, o fosso entre géneros é muito grande. As mulheres estão em grande medida ausentes dos processos de paz e dos círculos de decisão. Dar resposta à desigualdade estrutural em África pode ajudar a atenuar a violência eleitoral e a deter a sua escalada. Tendo em conta este benefício potencial para todos, os líderes africanos devem prestar mais atenção à igualdade de género e adotar políticas adequadas que garantam oportunidades iguais para todos os seus cidadãos e cidadãs. Em suma, dar às mulheres a voz que elas merecem.

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Rasmane Ouedraogo é Economista do Departamento de África do FMI, atuando em projetos sobre a República Centro Africana. Antes de assumir funções neste Departamento, atuou no Departamento de Estatística do FMI (Divisão de Balança de Pagamentos) e na Área de Macroeconomia e Gestão Orçamental Mundial do Banco Mundial. As suas grandes áreas de investigação são desenvolvimento económico e macroeconomia.

Rasmane Ouedraogo é oriundo do Burkina Faso. Obteve o grau de Doutor em Economia pela Universidade de Auvergne, Clermont Ferrand (França). Tem Mestrados em Economia Internacional, Economia de Desenvolvimento e Gestão de Projeto pela Faculdade de Economia de Clermont (França) e é Licenciado em Macroeconomia e Gestão do Desenvolvimento pela Universidade de Ouagadougou (Burkina Faso).