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(foto: iStock By Getty Images)

Apoiar mais mulheres em cargos de liderança

5 de março de 2020

Onde estão as mulheres? Essa é uma pergunta que não deveríamos ter de fazer em 2020. Mas temos. Por quê? Porque são muito poucas as mulheres em cargos de liderança em todo o mundo. Às vésperas do Dia Internacional da Mulher e ao nos aproximarmos do centenário da conquista do direito de voto feminino aqui nos Estados Unidos, este é o momento certo para tratar do problema.

Estudos conduzidos pelo FMI a partir de diversos ângulos mostram claramente os benefícios econômicos de promover políticas de igualdade de gênero. E a conclusão pura e simples é que a presença de mais mulheres na força de trabalho e em cargos de chefia é uma boa notícia para as mulheres, para as empresas e para as economias de seus países.

Apesar de alguns avanços, ainda existem grandes disparidades de gênero no emprego e na renda. Por exemplo, a taxa média de participação das mulheres na força de trabalho em nível mundial é 20 pontos percentuais inferior à dos homens. Além disso, na média de todos os países, as mulheres têm apenas três quartos dos direitos legais desfrutados pelos homens – como deter uma propriedade, receber uma herança ou abrir uma conta bancária.

E mesmo que em cinco economias avançadas a disparidade entre os gêneros seja de 5 pontos percentuais ou menos, a diferença média nas economias avançadas se mantém em 10 pontos percentuais.

Em conjunto, esses desequilíbrios não apenas têm um custo para a sociedade na forma de produtividade mais baixa e perda de crescimento econômico, mas também privam as mulheres de oportunidades de empoderamento econômico e liderança.

Mais mulheres no topo

Vejamos o caso do sistema financeiro. Faltam mulheres em todos os níveis, desde depositantes e mutuários a membros dos conselhos de bancos e órgãos reguladores. As mulheres também representam menos de 2% dos diretores executivos de instituições financeiras e menos de 20% dos membros dos conselhos de administração.

No entanto, crescem as evidências de que reduzir a disparidade entre os gêneros em postos de comando gera bons resultados.

Em um estudo anterior, o FMI constatou que os bancos com uma proporção maior de mulheres no conselho de administração tinham reservas de capital mais robustas, um menor índice de empréstimos improdutivos e maior resistência a tensões financeiras.

O corpo técnico do FMI observou essa mesma relação entre a estabilidade bancária e a presença de mulheres nos conselhos dos órgãos de regulação bancária.

Em outro estudo do FMI, que analisou dois milhões de empresas em 34 países europeus, a maior diversidade de gênero em cargos de chefia estava associada a uma maior rentabilidade das empresas. Mais precisamente, constatou-se que a presença de uma mulher a mais em um cargo diretivo ou no conselho de administração de uma empresa está associada a uma elevação de 8 a 13 pontos-base no rendimento dos ativos.

Essas constatações demonstram os efeitos benéficos do aumento da diversidade de opiniões nos conselhos de administração, uma vez que amplia o leque de perspectivas e melhora a qualidade das discussões e da tomada de decisões, gerando melhores resultados para as empresas.

Da lanterna à liderança

Ainda assim, apenas 18% das empresas em todo o mundo são comandadas por mulheres e, em média, apenas 22% dos membros dos conselhos nos países da OCDE são mulheres. A representação feminina é ainda menor nas economias emergentes, como a Índia, com 13%, ou o Brasil, com 8%. O avanço tem sido lento, para dizer o mínimo.

No FMI, estamos tentando dar o exemplo. Atualmente, mais de 30% dos cargos de alto escalão são ocupados por mulheres, e 35% dos diretores de departamento são mulheres.

Também continuamos a promover a diversidade de gênero em nossa Diretoria Executiva. Embora a representação feminina nos últimos 14 anos tenha aumentado como um todo – pois mais mulheres estão ocupando diversos cargos de assessoria – a proporção de diretoras executivas tem oscilado entre 4% a 9%.

As mulheres ocupam hoje três dos 24 cargos de diretor executivo e três dos 30 cargos de diretor executivo suplente, perfazendo uma representação total de 9% em 2019.

Mais mulheres na Diretoria Executiva do FMI significa mais diversidade de pontos de vista para enfrentar os grandes desafios mundiais da atualidade – como as alterações climáticas, a desigualdade e a inclusão social – ao formular soluções inovadoras para nossos 189 países membros.

Os resultados positivos se estenderiam ao desempenho e à eficácia da instituição. De fato, estudos já demonstraram que, ao investir mais na diversidade de gênero, as empresas tendem a colher mais dividendos graças à excelência organizacional – por exemplo, por meio da liderança, direção, prestação de contas e valores – em comparação com as empresas pouco diversas.

Voltamos assim a nossa pergunta inicial sobre o porquê de haver tão poucas mulheres em cargos de liderança, pensando especificamente na própria Diretoria Executiva do FMI. Como resposta, propomos o seguinte:

· Conscientizar os governos dos países membros sobre a importância de considerar, e selecionar, mais mulheres para serem nomeadas como Diretoras Executivas e Suplentes.

· Analisar de que forma o FMI, como instituição, poderia reduzir as barreiras à diversidade de gênero na Diretoria Executiva.

  • Oferecer oportunidades de networking para que as mulheres de nossa equipe se reúnam, troquem experiências e atuem como mentoras informais de outras mulheres durante sua permanência no FMI.

Ao celebrarmos o Dia Internacional da Mulher e as conquistas das mulheres de todo o mundo, devemos lembrar que a inserção das mulheres na economia mundial exige ação. Podemos continuar a exercer pressão e a fazer mais. Da próxima vez que alguém perguntar “onde estão as mulheres?”, acredito que poderemos dizer com orgulho “na Diretoria”.

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Kristalina Georgieva (biografia disponível na página principal)

Louise Levonian é Diretora Executiva do FMI pelo Canadá, Irlanda e Caribe desde 1 de novembro de 2018. Anteriormente, foi Vice-Ministra do Emprego e Desenvolvimento Social, além de ter presidido o Conselho de Informação sobre o Mercado de Trabalho, que identifica as prioridades pan-canadenses para a coleta, análise e distribuição de informações sobre o mercado de trabalho.

Foi também Vice-Ministra Associada Sênior do Emprego e Desenvolvimento Social e Diretora Administrativa do Service Canada por quase dois anos. Presidiu o Subcomitê de Mobilização da Função Pública e da Cultura de Trabalho do Conselho de Gestão e Renovação por quatro anos. É Mestre em Economia pela Queen’s University (1990), com especialização em finanças públicas e organização industrial, tendo recebido uma bolsa de pós-graduação em 1989–90. Formou-se em Economia com distinção pela Carleton University, onde figurou na lista de honra do decano em 1988–89.