O Brasil pode acelerar o crescimento ao trazer mais mulheres para a força de trabalho
February 11, 2026
Reformas prioritárias incluem mais creches, ajustar programas sociais e eliminar disparidades salariais

February 11, 2026
Reformas prioritárias incluem mais creches, ajustar programas sociais e eliminar disparidades salariais
A queda da taxa de desemprego no Brasil para 5,2% em novembro de 2025 — nível mais baixo em 25 anos — marcou uma retomada impressionante após a pandemia. Contudo, enquanto a participação dos homens no mercado de trabalho voltou ao que era antes da COVID, as mulheres ficaram para trás de forma significativa.

Conseguir inserir mais pessoas no mercado de trabalho é especialmente importante porque, no Brasil, assim como em muitos outros países, a previsão é que o envelhecimento da população afete o crescimento. Nossas estimativas sugerem que reduzir pela metade a diferença nas taxas de participação na força de trabalho de homens e mulheres, de 20 para 10 pontos percentuais até 2033, poderia elevar o crescimento anual do Brasil em cerca de 0,5 ponto percentual durante esse período.
Responsabilidades domésticas
A necessidade de cuidar da família e desempenhar tarefas domésticas é uma das principais razões que mantêm muitas mulheres brasileiras fora da força de trabalho, uma tendência que analisamos a fundo, usando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
O tema é especialmente relevante, considerando o debate em curso sobre se o principal programa de transferência condicional de renda do Brasil, o Bolsa Família, estaria desencorajando as mulheres a ingressarem no mercado de trabalho.
O Bolsa Família, que desde 2003 mira a redução da pobreza extrema, oferece atualmente uma ajuda mensal de cerca de R$680 (cerca de US$ 130) para famílias que mantêm seus filhos na escola e cumprem com condicionalidades de saúde como vacinação básica. O programa beneficia cerca de 50 milhões de pessoas — ou cerca de um quarto da população — e foi ampliado significativamente em 2023.
Nossa análise investigou se o Bolsa Família está realmente levando as mulheres a deixar a força de trabalho. Constatamos que não: o Bolsa Família parece não reduzir sistematicamente a participação na força de trabalho. Exceto para mulheres com crianças até 6 anos, em que o benefício está associado a uma menor participação feminina
Contudo, também é importante ressaltar que uma avaliação geral de como o Bolsa Família impacta o bem-estar econômico precisaria considerar fatores que vão muito além da participação na força de trabalho.

Diferenças salariais
Outro fator que pode inibir a participação feminina é a diferença salarial entre homens e mulheres. Constatamos que, em média, o salário mensal das mulheres tende a ser cerca de 22% inferior ao dos homens, mesmo após levarmos em conta a escolaridade, a idade, a raça, o setor e o cargo. Essa disparidade salarial pode incentivar algumas mulheres, entre elas as beneficiadas pelo Bolsa Família, a ficar em casa e cuidar dos filhos mais novos, em vez de ingressar no mercado de trabalho.
Possíveis soluções
Como explicamos no relatório publicado após a nossa avaliação anual da economia (a chamada consulta do Artigo IV de 2025), várias medidas podem ajudar mais mulheres a entrar no mercado de trabalho e fortalecer o crescimento econômico no Brasil:
Em conjunto, essas medidas podem promover um ambiente mais favorável para que as mulheres ingressem no mercado de trabalho e reforcem o potencial econômico do Brasil.
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Bunyada Laoprapassorn é economista no Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI.