Desequilíbrio no Financiamento em Dólar dos Bancos Mundiais
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Panorama e diagnóstico
- A maioria dos USD 7 trilhões em empréstimos bancários fora dos Estados Unidos é concedida por bancos europeus, japoneses e de outros mercados.
- Bancos não americanos enfrentam dificuldades para usar os dólares depositados nas suas agências americanas para financiar empréstimos em dólar fora dos EUA, levando-os a depender de fontes de financiamento menos estáveis, como depósitos interbancários, papel comercial e swaps.
- O Global Financial Stability Report do FMI encontrou dependência elevada dessas fontes de financiamento menos estáveis.
- O índice de cobertura de liquidez (liquidity coverage ratio) com base nos balanços internacionais em dólar (que excluem agências americanas) é significativamente inferior ao índice de liquidez consolidado.
- Uma estimativa de índice de financiamento estável (stable funding ratio) também é muito mais baixo para posições internacionais em dólar do que para os balanços globais dos bancos.
- Alguns sistemas bancários apresentam vulnerabilidades maiores:
- Os índices de liquidez em dólar dos bancos franceses e alemães não são tão fortes como os de seus pares (segundo a análise citada).
- Os swaps atendem a mais de 30% das necessidades de financiamento em dólar dos bancos japoneses.
Riscos e canais de transmissão
- Forças que tendem a elevar os custos do financiamento em dólar:
- O Tesouro dos Estados Unidos está emitindo Letras do Tesouro, potencialmente aumentando a pressão sobre as taxas de juro que os bancos não americanos terão de pagar pelo financiamento em dólar de curto prazo.
- A nova lei fiscal deverá incentivar as empresas americanas a repatriar recursos e possivelmente a retirar caixa dos instrumentos de financiamento dos bancos.
- A conjuntura de aumento das taxas de juro pelo Federal Reserve e de redução gradual do número de títulos mantidos no seu balanço eleva os custos de financiamento para todos os mutuários.
- Em períodos de tensão de mercado, fontes de financiamento menos estáveis podem secar rapidamente, tornando mais difícil rolar financiamentos de curto prazo em dólar.
- Bancos podem amplificar as tensões de mercado se pressões de crédito os obrigarem a vender ativos em mercados turbulentos para quitar passivos.
- A pressão poderá levar bancos a limitar financiamentos em dólar a mutuários não americanos, reduzindo a disponibilidade de crédito externamente.
Políticas adotadas e lacunas regulatórias
- Reformas regulatórias na última década reforçaram quadros sobre solvência consolidada e posições de liquidez dos bancos.
- A regulamentação de liquidez de alguns países, apesar de fortalecer sistemas nacionais, pode inadvertidamente restringir o fluxo de liquidez dentro de grupos bancários, gerando disparidades por moeda.
Recomendações de política
- Bancos devem assegurar que riscos de liquidez por moeda em instituições individuais dos seus grupos continuem a ser geridos de forma eficaz.
- Órgãos reguladores devem:
- Abordar disparidades de liquidez em moeda estrangeira através de mais transparência.
- Estabelecer normas de liquidez para cada moeda.
- Realizar testes de estresse específicos por moeda.
- Desenvolver planejamento de resolução orientado para riscos em moeda estrangeira.
- As linhas de swaps dos bancos centrais devem ser mantidas como respaldo de último recurso para fornecer liquidez cambial em épocas de estresse.