Washington, DC:
No dia29 de agosto de 2023, o Conselho de
Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a
Avaliação Pós-Financiamento
(APF)[1],
tendo analisado e aprovado a Avaliação da Equipa Técnica segundo o
procedimento de aprovação
tácita[2].
A capacidade de Angola para reembolsar o Fundo é adequada, apesar dos
riscos elevados.
Angola iniciou a sua recuperação em 2021–22, num contexto de preços
do petróleo mais elevados e de reformas bem-sucedidas, mas a
fraqueza do sector petrolífero conduziu a desafios significativos
para a economia. No final de 2022 e no primeiro semestre de 2023, o
sector petrolífero enfraqueceu devido ao prolongamento de operações
de manutenção temporárias. Com a descida quer dos preços do
petróleo, quer da produção, no primeiro semestre de 2023, as
exportações e as receitas petrolíferas diminuíram, o que resultou
numa debilidade dos sectores fiscal e externo e numa depreciação
significativa da taxa de câmbio nominal em junho de 2023. Na
sequência da forte depreciação da taxa de câmbio nominal e da
supressão parcial dos subsídios aos combustíveis, a inflação
aumentou em junho para 11,3% (de 10,6%), pela primeira vez em 15
meses consecutivos, tendo o Banco Nacional de Angola (BNA) reagido
com uma maior restritividade das condições de liquidez.
Prevê-se que o crescimento abrande para 0,9% em 2023 (devido a uma
produção petrolífera estimada fraca este ano), antes de estabilizar em
cerca de 3,4% a médio prazo, ajudado pela agenda de reformas
estruturais e de diversificação das autoridades. Prevê-se, também, que a
inflação aumente temporariamente em 2023/24 devido ao aumento dos
preços da energia relacionado com a reforma dos subsídios aos
combustíveis, abrandando posteriormente.
Prevê-se, ainda, um ajustamento orçamental moderado em 2023, em
conformidade com o orçamento, e um ajustamento mais significativo em
2024 com a reforma planeada dos subsídios aos combustíveis. Embora as
perspectivas orçamentais a curto prazo se tenham agravado desde o artigo
IV, as autoridades poderão atingir os seus objectivos orçamentais a
médio prazo, de acordo com a projecção de referência, caso implementem
na íntegra a reforma dos subsídios. Os riscos de deterioração das
perspectivas incluem uma descida do preço mundial do petróleo maior do
que a prevista, a continuação da fraqueza da produção petrolífera e a
não aplicação integral da reforma prevista dos subsídios aos
combustíveis em 2024.
Avaliação do Conselho de Administração
A recuperação de Angola a curto prazo continua dependente do sector
petrolífero e depende em grande medida da concretização dos planos de
diversificação a médio prazo. Apesar dos resultados mais fracos da
produção de petróleo no primeiro semestre de 2023, prevê-se que a
dinâmica de crescimento continue, uma vez concluídas as operações de
manutenção temporárias. Os riscos para as perspectivas continuam a ser
elevados, dada a continuação da forte dependência do sector
petrolífero, sendo que o médio prazo depende, em grande medida, da
recuperação do sector não petrolífero e dos progressos alcançados por
parte das autoridades no que toca ao plano de diversificação.
A capacidade que Angola tem para reembolsar o FMI é adequada, apesar dos
riscos elevados, e o país parece ser resistente aos choques. De acordo
com o cenário de base, prevê-se que os reembolsos de Angola ao Fundo
aumentem a médio prazo, mas que atinjam o seu ponto máximo em 2026,
situando-se em níveis relativamente confortáveis. Num cenário de choque
significativo e prolongado, os indicadores de capacidade de reembolso
projectados permaneceriam controláveis. Perante este cenário, seria
importante aplicar medidas destinadas a mitigar o choque, incluindo
permitir que a taxa de câmbio funcione como um amortecedor de choques e
racionalizar algumas despesas.
A derrapagem orçamental reduziu as reservas e é necessário um
ajustamento sustentado para atenuar os riscos. As autoridades devem
continuar a atuar rapidamente para inverter a grande derrapagem
orçamental de 2022. Para o efeito, é fundamental aplicar plenamente a
reforma dos subsídios anunciada em 1 de junho (com medidas de mitigação
para apoiar os mais vulneráveis). Paralelamente, as autoridades devem
também prosseguir medidas de política fiscal que permitam mobilizar
receitas internas não petrolíferas e realizar novos progressos na
agenda estrutural orçamental, incluindo as reformas da gestão das
finanças públicas e da gestão do investimento público.
São necessários esforços contínuos para reforçar a estabilidade
financeira. As reformas prudenciais em curso devem continuar a melhorar
a supervisão e a saúde do sector bancário. Para salvaguardar a
confiança dos mercados e reduzir o risco orçamental contingente, a DGF
deve reforçar a sua capacidade financeira e operacional e o BNA deve
preparar-se para levar a cabo de forma decisiva a resolução ou
liquidação dos bancos problemáticos, caso seja necessário, protegendo
apenas os pequenos depositantes.
Manter a tónica nas reformas estruturais a médio prazo é fundamental
para manter o crescimento no contexto de um sector petrolífero em
declínio. A redução da dependência do sector petrolífero é fundamental
e deve continuar a ser a prioridade das autoridades a médio prazo, a
fim de reduzir as vulnerabilidades decorrentes da maior volatilidade
deste sector. Por conseguinte, são necessários esforços contínuos para
reforçar a governação, melhorar o ambiente empresarial e promover o
investimento privado, orientados pelos planos de diversificação das
autoridades, bem como por políticas macroeconómicas e financeiras
reforçadas no âmbito do novo Plano de Desenvolvimento Nacional
(2023–2027).