Corpo técnico do FMI conclui a visita ao Brasil de 2026, nos termos do Artigo IV
IMF News, June 1, 2026
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- Published: June 1, 2026
Visita e declaração
- Uma equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI), liderada por Daniel Leigh, realizou reuniões no âmbito das consultas de 2026 ao abrigo do Artigo IV com as autoridades brasileiras e outras partes interessadas durante o período de 18 a 29 de maio de 2026.
- O Sr. Leigh emitiu uma declaração ao fim da visita com as constatações preliminares da missão.
- As opiniões expressas são as do corpo técnico do FMI e serão incorporadas em relatório que, sujeito à aprovação da direção, será apresentado à Diretoria Executiva do FMI para discussão e decisão.
Perspectiva macroeconômica e projeções
- A economia brasileira tem mostrado "uma resiliência notável diante de múltiplos choques", segundo o corpo técnico do FMI.
- "Após desacelerar em 2025, o que contribuiu para a desinflação, o crescimento deve se recuperar em 2026 e se fortalecer, chegando a cerca de 2,5% no médio prazo."
- "Projetamos o fortalecimento gradual do crescimento, alcançando uma taxa de cerca de 2,5% no médio prazo."
- Inflação:
- "A inflação caiu até o início de 2026, mas recentemente voltou a subir, como reflexo da alta dos preços globais de energia."
- "Prevemos que a inflação suba no curto prazo para então convergir para a meta de 3% até meados de 2028."
Política monetária
- O corpo técnico considerou que "o Banco Central corretamente reduziu as taxas de juros em março e abril, em consonância com o regime de metas de inflação do país."
- Recomendações e observações:
- "Manter a flexibilidade da política monetária justifica-se diante da elevada incerteza e das novas pressões inflacionárias decorrentes da alta dos preços globais de energia."
- "A recente redução dos juros pelo Banco Central do Brasil (BCB) foi apropriada, e convém manter flexibilidade sobre o ritmo e momento dos próximos movimentos da política monetária, em meio à elevada incerteza em torno da guerra no Oriente Médio e às novas pressões inflacionárias."
- "A manutenção do claro compromisso público com a meta de inflação de 3% continuará a ser essencial para baixar a inflação e ancorar as expectativas."
Política fiscal
- Avaliação e recomendações:
- "Os esforços das autoridades para fortalecer a posição fiscal devem continuar."
- "Poupar receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo simultaneamente às políticas focalizadas e temporárias de alívio aos efeitos do choque externo, bem como mobilizar receitas e enfrentar a rigidez nos gastos fortaleceriam a sustentabilidade da dívida pública, reduziriam os custos da dívida e criariam espaço para investimentos prioritários."
- "As autoridades tomaram medidas para melhorar ainda mais a posição fiscal."
- "Reformas fiscais relevantes serão necessárias para colocar a dívida pública em uma trajetória firmemente decrescente."
- "Realizer um esforço fiscal mais ambicioso — respaldado por reformas para enfrentar a rigidez dos gastos e reduzir as renúncias fiscais — reforçariam a credibilidade das finanças públicas, reduziriam os custos da dívida e criariam espaço para investimentos prioritários."
Setor financeiro e supervisão
- Segundo o Programa de Avaliação do Setor Financeiro (FSAP) do FMI:
- "O setor financeiro continua resiliente, com bancos bem capitalizados e líquidos."
- Prioridades e riscos identificados:
- "É importante manter a vigilância, sobretudo no que diz respeito aos riscos no crédito a pessoas físicas."
- "É prioridade reforçar a supervisão do sistema financeiro e do mercado de capitais – inclusive enfrentando a questão da escassez de pessoal do BCB e fortalecendo a proteção legal dos seus funcionários."
Reformas estruturais e agenda ecológica
- Situação e recomendações:
- "As reformas estruturais e a agenda de transformação ecológica estão avançando e promoverão um crescimento mais forte e inclusivo no médio prazo."
- "As autoridades estabeleceram novas parcerias comerciais que irão reforçar a resiliência da economia."
- "Manter os esforços para melhorar o ambiente de negócios, fomentar a concorrência, ampliar a participação na força de trabalho e promover políticas de descarbonização fortaleceria ainda mais a produtividade, o investimento e o crescimento inclusivo."
Riscos e fatores de resiliência
- Riscos salientados:
- "Os riscos para as perspectivas de crescimento pendem para o lado negativo, com destaque para o agravamento das tensões geopolíticas e as condições financeiras mais restritivas."
- Fatores que respaldam a resiliência:
- "Políticas públicas sólidas, um sistema financeiro robusto, reservas internacionais adequadas e regime de câmbio flutuante."
Agradecimentos
- "A equipe gostaria de agradecer às autoridades, representantes do setor privado, instituições acadêmicas e organizações da sociedade civil pela excelente cooperação e diálogo construtivo."