O Conselho de Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI)
concluiu, em 18 de maio de 2018, a consulta com Angola ao abrigo do
Artigo IV.
[1]
A baixa dos preços do petróleo desde meados de 2014 pôs a economia
angolana sob pressão. As autoridades reagiram inicialmente ao choque
dos preços do petróleo com contenção orçamental e ajustamentos da taxa
de câmbio, conjugados com restrições cambiais quantitativas. O conjunto
de políticas no período que antecedeu as eleições de agosto de 2017 –
expansão orçamental e taxa de câmbio fixa – levou a uma erosão
adicional dos amortecedores orçamental e externo. O Governo do
Presidente João Lourenço centrou a sua atenção na melhoria da
governação e em restaurar a estabilidade macroeconómica. O programa de
estabilização macroeconómica do Governo visa: consolidação orçamental;
maior flexibilidade cambial; redução do rácio dívida pública/PIB para
60% no médio prazo; melhoria do perfil da dívida pública; regularização
dos atrasados internos; e fortalecimento do quadro de combate ao
branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo (CBC/FT),
garantindo a sua efetiva aplicação.
Avaliação do Conselho de Administração
[2]
Os Administradores concordaram com o teor da avaliação do corpo
técnico e louvaram o programa de reforma do Governo, que visa
abordar os desafios do desenvolvimento no período pós-conflito,
restaurar a estabilidade macroeconómica e melhorar o ambiente de
negócios. Acolheram com satisfação as melhorias recentes nas
condições económicas e observaram que a perspetiva mais favorável
para os preços do petróleo apresentava uma oportunidade única para
abordar os desequilíbrios macroeconómicos, incluindo a erosão das
margens de manobra orçamental e externa, e para reduzir a
dependência do petróleo. Nesse contexto, os Administradores
salientaram a necessidade de prosseguir com determinação no
programa de estabilização macroeconómica do Governo e nas reformas
estruturais para diversificar a economia e apoiar o crescimento
inclusivo.
Os Administradores apoiaram a redução do défice orçamental prevista no
orçamento de 2018 e salientaram que eventuais receitas tributárias
extraordinárias devem ser usadas para eliminar os atrasados internos e
reduzir a dívida pública. Dada a previsão de descida dos preços do
petróleo no médio prazo, os Administradores vincaram a necessidade de
uma nova consolidação orçamental gradual para colocar a dívida pública
numa trajetória claramente descendente. Enfatizaram que a consolidação
fiscal deve assentar na mobilização de mais receitas internas não
petrolíferas, inclusive através de melhorias no cumprimento das
obrigações tributárias e da introdução planeada de um IVA, bem como na
maior racionalização da despesa pública e melhoria da qualidade do
investimento público, em simultâneo ao alargamento dos programas
sociais bem direcionados.
Os Administradores concordaram que as políticas monetária e cambial
devem desempenhar um papel vital no reequilíbrio do mercado cambial e
no controlo da inflação. Consideraram positiva a transição para uma
maior flexibilidade cambial e para um novo quadro de política monetária
ancorado numa meta para a base monetária coerente com o objetivo de
inflação. Destacaram a necessidade de eliminar progressivamente as
vendas diretas de divisas pelo BNA e de definir um prazo e uma
estratégia clara para eliminar as restrições cambiais e as práticas de
taxas de câmbio múltiplas.
Os Administradores salientaram a importância de preservar a saúde do
setor bancário, o que requer também medidas concretas para concluir as
avaliações da qualidade dos ativos e para reforçar os quadros de gestão
de crises, cedência de liquidez de emergência e combate ao
branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo (CBC/FT).
Apoiaram os esforços em curso para reforçar os amortecedores de capital
e de liquidez em paralelo ao fortalecimento da governação dos bancos
estatais.
Os Administradores observaram que a agenda de reformas estruturais do
novo Governo concentra-se acertadamente em melhorar a governação e o
fraco ambiente de negócios e combater a corrupção. Instaram pela união
dos esforços para assegurar a implementação das reformas para que
Angola colha os benefícios esperados. Salientaram a necessidade de
continuar a construir instituições sólidas para assegurar que as
reformas em curso tenham um impacto positivo na vida do povo angolano.
Espera-se que a próxima consulta a Angola ao abrigo do Artigo IV seja
realizada no ciclo normal de doze meses.
|
Angola: Principais Indicadores Económicos, 2010–19
|
|
|
2010
|
2011
|
2012
|
2013
|
2014
|
2015
|
2016
|
2017
|
2018
|
2019
|
|
|
|
|
|
|
|
Prel.
|
Prel.
|
Est.
|
Proj.
|
|
Economia real (variação percentual, salvo indicação em
contrário)
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Produto interno bruto real
|
3,5
|
3,9
|
5,2
|
6,8
|
4,7
|
3,0
|
-0,8
|
1,0
|
2,2
|
2,5
|
|
Setor petrolífero
|
-2,8
|
-5,6
|
4,3
|
-0,9
|
-2,6
|
6,5
|
-1,7
|
0,5
|
2,3
|
0,1
|
|
Setor não petrolífero
|
7,6
|
9,5
|
5,6
|
10,8
|
8,0
|
1,6
|
-0,4
|
1,2
|
2,1
|
3,5
|
|
Produto interno bruto nominal
|
26,6
|
28,9
|
11,2
|
10,9
|
3,3
|
-1,1
|
26,6
|
32,4
|
40,8
|
18,1
|
|
Setor petrolífero
|
27,8
|
36,5
|
7,3
|
-3,3
|
-10,7
|
-33,0
|
9,6
|
28,4
|
82,5
|
8,9
|
|
Setor não petrolífero
|
25,7
|
22,8
|
14,7
|
22,8
|
12,6
|
15,7
|
31,8
|
33,4
|
30,5
|
21,3
|
|
Deflator do PIB
|
22,4
|
24,1
|
5,7
|
3,8
|
-1,3
|
-4,0
|
27,7
|
31,0
|
37,8
|
15,3
|
|
Deflator do PIB não petrolífero
|
16,8
|
12,2
|
8,6
|
10,8
|
4,3
|
13,9
|
32,4
|
31,8
|
27,9
|
17,2
|
|
Preços no consumidor (média anual)
|
14,5
|
13,5
|
10,3
|
8,8
|
7,3
|
10,3
|
32,4
|
31,7
|
27,8
|
17,1
|
|
Preços no consumidor (fim de período)
|
15,3
|
11,4
|
9,0
|
7,7
|
7,5
|
14,3
|
41,9
|
26,3
|
24,7
|
15,0
|
|
Produto interno bruto (mil milhões de kwanzas)
|
7.585
|
9.780
|
10.876
|
12.056
|
12.458
|
12.321
|
15.603
|
20.656
|
29.073
|
34.348
|
|
Produto interno bruto petrolífero (mil milhões de kwanzas)
|
3.401
|
4.641
|
4.981
|
4.818
|
4.304
|
2.884
|
3.162
|
4.061
|
7.409
|
8.069
|
|
Produto interno bruto não petrolífero (mil milhões de
kwanzas)
|
4.184
|
5.139
|
5.895
|
7.239
|
8.154
|
9.436
|
12.440
|
16.595
|
21.664
|
26.278
|
|
Produto interno bruto (mil milhões de USD)
|
82,5
|
104,1
|
113,9
|
124,9
|
126,7
|
102,6
|
95,3
|
124,5
|
119,1
|
121,0
|
|
Produto interno bruto per capita (USD)
|
3.602
|
4.412
|
4.687
|
4.989
|
4.914
|
3.863
|
3.485
|
4.418
|
4.102
|
4.048
|
|
Governo central (percentagem do PIB)
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total da receita
|
43,4
|
48,8
|
46,5
|
40,2
|
35,3
|
27,3
|
18,6
|
15,8
|
18,2
|
18,1
|
|
D/q:
Petrolífera
|
33,0
|
39,0
|
37,7
|
30,1
|
23,8
|
15,4
|
8,8
|
8,4
|
11,7
|
10,8
|
|
D/q:
Não petrolífera
|
7,8
|
7,3
|
6,6
|
8,1
|
9,1
|
9,3
|
7,9
|
5,8
|
5,6
|
6,4
|
|
Total da despesa
|
40,0
|
40,2
|
41,8
|
40,5
|
41,9
|
30,6
|
23,4
|
21,8
|
20,2
|
20,5
|
|
Despesas correntes
|
28,6
|
30,0
|
29,4
|
28,5
|
29,4
|
24,7
|
19,2
|
16,2
|
16,2
|
15,6
|
|
Despesas de capital
|
11,4
|
10,2
|
12,5
|
12,0
|
12,5
|
6,0
|
4,1
|
5,5
|
4,0
|
5,0
|
|
Saldo orçamental global
|
3,4
|
8,7
|
4,6
|
-0,3
|
-6,6
|
-3,3
|
-4,8
|
-6,0
|
-2,0
|
-2,4
|
|
Saldo orçamental primário não petrolífero
|
-26,2
|
-26,9
|
-29,5
|
-28,2
|
-28,1
|
-15,9
|
-10,2
|
-10,8
|
-8,8
|
-8,3
|
|
Saldo orçamental primário não petrolífero (% do PIB não
petrolífero)
|
-47,4
|
-51,1
|
-54,5
|
-47,0
|
-42,9
|
-20,8
|
-12,8
|
-13,4
|
-11,8
|
-10,8
|
|
Moeda e crédito (fim de período, variação percentual)
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Massa monetária (M2)
|
11,0
|
35,7
|
7,9
|
14,2
|
16,1
|
11,8
|
14,4
|
-0,1
|
14,4
|
21,3
|
|
Percentagem do PIB
|
35,3
|
37,6
|
35,4
|
36,5
|
41,0
|
46,4
|
41,8
|
31,6
|
25,7
|
26,3
|
|
Velocidade (PIB/M2)
|
2,9
|
2,7
|
2,8
|
2,7
|
2,4
|
2,2
|
2,4
|
3,2
|
3,9
|
3,8
|
|
Velocidade (PIB não petrolífero/M2)
|
1,6
|
1,4
|
1,5
|
1,6
|
1,6
|
1,7
|
1,9
|
2,5
|
2,9
|
2,9
|
|
Crédito ao setor privado (variação percentual em 12 messes)
|
19,2
|
28,8
|
24,2
|
15,0
|
1,1
|
17,6
|
-1,8
|
1,3
|
27,2
|
22,8
|
|
Balança de pagamentos
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Balança comercial (percentagem do PIB)
|
41,1
|
45,2
|
41,6
|
33,5
|
24,1
|
12,2
|
14,7
|
13,5
|
17,4
|
16,5
|
|
Exportações de bens, FOB (percentagem do PIB)
|
61,3
|
64,6
|
62,4
|
54,6
|
46,7
|
32,3
|
28,9
|
26,2
|
33,4
|
31,0
|
|
D/q:
Exportações de petróleo e gás (percentagem do PIB)
|
59,8
|
63,0
|
61,2
|
53,6
|
45,5
|
31,1
|
27,5
|
25,1
|
32,2
|
29,7
|
|
Importações de bens, FOB (percentagem do PIB)
|
20,2
|
19,4
|
20,8
|
21,1
|
22,6
|
20,2
|
14,2
|
12,7
|
16,0
|
14,5
|
|
Termos de troca (variação percentual)
|
19,3
|
24,4
|
5,6
|
-1,5
|
-8,5
|
-41,5
|
-14,8
|
21,7
|
16,8
|
-7,4
|
|
Saldo da conta corrente (percentagem do PIB)
|
9,1
|
12,6
|
12,2
|
6,7
|
-3,0
|
-10,0
|
-5,1
|
-4,5
|
-3,5
|
-2,5
|
|
Reservas internacionais brutas (fim de período, milhões de
USD)
|
19.679
|
27.517
|
32.156
|
32.231
|
27.795
|
24.419
|
24.353
|
17.938
|
14.338
|
15.238
|
|
Reservas internacionais brutas (meses de import. do próximo
ano)
|
5,4
|
7,2
|
7,8
|
7,2
|
8,8
|
10,7
|
9,2
|
6,0
|
5,2
|
5,8
|
|
Reservas internacionais líquidas (fim de período, milhões
de USD)
|
18.797
|
26.323
|
30.828
|
31.172
|
27.276
|
24.266
|
20.807
|
13.300
|
9.700
|
10.600
|
|
Taxa de câmbio
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Taxa de câmbio oficial (média, kwanzas por USD)
|
91,9
|
93,9
|
95,5
|
96,5
|
98,3
|
120,1
|
163,7
|
165,9
|
…
|
…
|
|
Taxa de câmbio oficial (fim de período, kwanzas por USD)
|
92,6
|
95,3
|
95,8
|
97,6
|
102,9
|
135,3
|
165,9
|
165,9
|
…
|
…
|
|
Dívida (percentagem do PIB)
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Total da dívida (bruta) do setor público1
|
44,3
|
33,8
|
29,9
|
32,9
|
40,7
|
64,6
|
79,8
|
64,1
|
72,9
|
69,9
|
|
D/q: Sonangol
|
9,1
|
9,5
|
7,9
|
10,9
|
12,5
|
14,2
|
9,9
|
3,9
|
4,5
|
4,2
|
|
Petróleo
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Produção de petróleo (milhões de barris por dia)
|
1,758
|
1,660
|
1,730
|
1,716
|
1,672
|
1,780
|
1,744
|
1,757
|
1,798
|
1,800
|
|
Exportações de petróleo e gás (mil milhões de USD)
|
49,4
|
65,6
|
69,7
|
66,9
|
57,6
|
31,9
|
26,2
|
31,2
|
38,3
|
36,0
|
|
Preço do petróleo angolano (média, USD por barril)
|
77,8
|
108,7
|
110,9
|
107,7
|
96,9
|
50,0
|
40,9
|
51,6
|
62,5
|
58,5
|
|
Preço do petróleo Brent (média, USD por barril)
|
79,6
|
111,0
|
112,0
|
108,8
|
98,9
|
52,4
|
44,0
|
54,4
|
64,7
|
60,7
|
|
Preço do petróleo bruto (média dos 3 preços spot, USD por
barril)
|
79,0
|
104,0
|
105,0
|
104,1
|
96,2
|
50,8
|
42,8
|
52,8
|
62,3
|
58,2
|
|
Fontes: Autoridades angolanas e estimativas e projeções do
corpo técnico do FMI.
|
|
|
|
|
|
|
|
1 Inclui a dívida da empresa petrolífera pública, Sonangol,
que não é diretamente garantida pelo governo.
|
[1]
Ao abrigo do Artigo IV do seu Convénio Constitutivo, o FMI mantém
discussões bilaterais com os seus países membros, normalmente com
uma periodicidade anual. Uma equipa de especialistas visita o país,
recolhe informações de natureza económica e financeira e discute
com as autoridades a evolução da economia e as políticas económicas
do país. De regresso à sede do FMI, os especialistas elaboram um
relatório que constitui a base para as discussões do Conselho de
Administração.
[2]
Concluídas as discussões, a Diretora-Geral, na qualidade de
Presidente do Conselho, resume os pontos de vista dos
Administradores, e este resumo é transmitido às autoridades do
país. A ligação a seguir contém uma explicação dos principais
qualificadores empregados nos resumos:
http://www.imf.org/external/np/sec/misc/qualifiers.htm.