Washington, DC: O Governo de Barbados
anunciou na Cúpula para um Novo Pacto de Financiamento Global, em Paris, um
pacote integrado de iniciativas inovadoras para acelerar sua transição para
a emissão líquida zero, aumentar a resiliência, dar mais autonomia aos
trabalhadores, atrair investimentos do setor privado e, ao mesmo tempo,
administrar de forma prudente os níveis da dívida pública. Essas
iniciativas tiram partido das reformas da política climática ora em
andamento, apoiadas por um acordo no âmbito do Fundo Fiduciário para a
Resiliência e a Sustentabilidade (RSF) com o Fundo Monetário Internacional.
Tais reformas devem cumprir uma função catalisadora na mobilização de
financiamento dos setores público e privado para projetos climáticos.
Esse pacote de iniciativas reflete uma cooperação sem precedentes e uma
nova “abordagem sistêmica” entre o governo, o FMI, por intermédio do acordo
do RSF, e parceiros de financiamento de Barbados de longa data: o Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Grupo Banco Mundial (GBM), o
Banco de Desenvolvimento da América Latina e do Caribe (CAF), o Banco
Europeu de Investimento (BEI) e o Fundo Verde do Clima (GCF).
Barbados é altamente vulnerável aos impactos das mudanças climáticas e
precisa fazer pesados investimentos tanto para proteger seus cidadãos de
furacões, enchentes e secas como para preservar seu capital natural. O país
está empenhado em atingir níveis sustentáveis de endividamento público, o
que significa que a capacidade do governo para contrair empréstimos para
fazer investimentos públicos é limitada. Para fazer face a esses desafios,
o governo identificou quatro abordagens complementares junto com seus
parceiros de financiamento.
Um novo banco para a economia verde e azul
Em uma iniciativa inédita, o governo de Barbados decidiu usar US$ 10
milhões do espaço fiscal gerado pelo RSF como capital para um novo banco,
chamado Blue Green Bank.
Esse capital garantirá a concessão de empréstimos em cinco vezes esse
montante. Isso abrirá caminho para que outros parceiros, como o GCF, o CAF
e o BID, apoiem o Blue Green Bank por meio de apoio técnico ou
capitalização, com o GCF propondo ao seu Conselho, em julho, entrar como um
dos sócios fundadores do banco.
Uma vez criado, o Blue Green Bank ajudará a financiar mais de US$ 250
milhões em investimentos verdes em residências de custo acessível, telhados
resistentes a furacões, eletrificação do transporte público e privado, e
outros investimentos alinhados com o Pacto de Paris.
Infraestrutura mais resiliente graças a novos instrumentos de
empréstimo de baixo custo e longo prazo de instituições de
financiamento do desenvolvimento
Os instrumentos de financiamento de baixo custo e longo prazo do BEI, CAF,
BID, GCF e RSF apoiarão o investimento do governo em infraestruturas
resilientes de tratamento de água e resíduos, e em proteção costeira e
contra inundações. Além disso, apoiarão os esforços das autoridades para
transformar empresas estatais e dar mais autonomia aos trabalhadores.
O BEI disponibilizou US$ 18 milhões em subvenções da União Europeia (UE)
para apoiar projetos de água, saneamento e limpeza do oceano resilientes ao
clima em todo o Caribe, como garantia de um fundo de empréstimo de US$ 165
milhões.
O GCF oferecerá até US$ 1,5 milhão em subvenções por projeto para preparar
projetos de ponta a ponta, incentivar a inovação e criar um impacto
transformacional, bem como para elaborar propostas de investimento que
visem aumentar o financiamento do GCF.
PPPs melhores e mais acessíveis
Os parceiros de financiamento multilateral de Barbados fortalecerão o apoio
à preparação de projetos para atrair investimentos privados em parcerias
público-privadas (PPP) para construir mais infraestruturas resilientes. O
BID ajudará a desenvolver a capacidade e a experiência do governo em PPPs.
A Agência Multilateral de Garantia de Investimentos, membro do Grupo Banco
Mundial, disponibilizou garantias de investimento para ajudar a reduzir o
custo do financiamento pelo setor privado.
A Corporação Financeira Internacional, também membro do Grupo Banco
Mundial, apoiará Barbados no desenvolvimento do primeiro projeto eólico
terrestre de grande escala no país e aumentará a resiliência da rede
elétrica.
Desenvolvimento de novos investimentos sem dívida em capital natural e
social
O governo de Barbados está trabalhando com seus parceiros de
desenvolvimento para aproveitar o sucesso do título azul lançado em 2022
com o BID e a organização The Nature Conservancy, que liberou
aproximadamente US$ 50 milhões em novos recursos financeiros para a
conservação marinha. Um foco especial recai sobre uma nova geração de
instrumentos para apoiar investimentos em capital natural e social.
Juntas, essas iniciativas ajudarão Barbados a atingir seus objetivos de
resiliência e a proteger seus cidadãos, ao mesmo tempo em que ajudam a
transformar a economia e proteger seu ambiente natural intocado.
Comentários
- Mia Mottley, Primeira-Ministra de Barbados, comentou: “Além de
podermos acessar capital novo, contarmos com instrumentos inovadores,
parcerias e novas formas de trabalho conjunto é fundamental para superarmos
os desafios impostos pelo clima, por pandemias e pela dívida. Essas
iniciativas novas e integradas anunciadas hoje são a concretização do que
pode resultar de novas formas cooperativas de trabalho conjunto.”
- Kristalina Georgieva, Diretora-Geral do Fundo Monetário
Internacional, disse: “Saudamos as iniciativas de Barbados para catalisar
financiamento climático privado, bem como o impulso em paralelo para reunir
vários parceiros em busca de um objetivo comum. O Fundo está plenamente
empenhado em apoiar os esforços dos nossos países membros para que atinjam
suas metas climáticas — inclusive por meio do Fundo Fiduciário para a
Resiliência e a Sustentabilidade — e esperamos manter nossa parceria com
Barbados à medida que o governo tome medidas para tornar a economia mais
verde.”
- Ilan Goldfajn, Presidente do Grupo Banco Interamericano de
Desenvolvimento, salientou: “O BID é um dos parceiros de desenvolvimento de
Barbados mais próximos e comprometidos há muito tempo. Estamos muito
satisfeitos com essa oportunidade de colaborar com o FMI e outros parceiros
para aproveitar não apenas nossa recente e exitosa emissão de títulos
azuis, mas também experiências promissoras em toda a região com a
preparação e estruturação de projetos para ajudar a catalisar volumes novos
e maiores de financiamento privado para investimentos resilientes e
inteligentes em relação ao clima. Esses e outros mecanismos inovadores de
financiamento e apoio serão cruciais para ajudar Barbados a enfrentar os
desafios impostos pelas rápidas mudanças do clima.”
- Sergio Díaz-Granados, Presidente-Executivo do CAF, afirmou que,
como um banco de desenvolvimento local, pertencente aos países da América
Latina e do Caribe, o CAF compreende a miríade de desafios enfrentados por
pequenas ilhas, como Barbados, em decorrência dos efeitos das mudanças
climáticas. “O CAF está empenhado em fazer sua parte para canalizar mais
recursos e está muito satisfeito em unir forças com outros parceiros de
desenvolvimento para mobilizar financiamento dedicado que ajudará a
fortalecer a resiliência dos nossos países membros.”
- Werner Hoyer, Presidente do Banco Europeu de Investimento,
comentou: “É imperativo que apoiemos países como Barbados, que já estão
enfrentando as consequências devastadoras das mudanças climáticas. Seguindo
o apelo à ação da Primeira-Ministra Mia Amor Mottley, estamos oferecendo
apoio rápido e direcionado. Queremos começar a conceder empréstimos com
prazos alargados a países de baixa e média renda, e adotar cláusulas de
risco de desastres naturais nos nossos empréstimos para assegurar que as
comunidades mais vulneráveis possam recuperar-se e reconstruir-se após uma
crise. Na qualidade de Banco Climático da UE, em conjunto com os nossos
parceiros da “Equipa Europa”, o BEI está trabalhando constantemente para
aumentar o impacto dos seus empréstimos climáticos e do seu apoio a países
vulneráveis como Barbados.”
- Henry Gonzalez, Diretor-Executivo interino do Fundo Verde para o
Clima, declarou: “O Blue Green Bank transformará o cenário financeiro em
Barbados e catalisará novos financiamentos para investimentos climáticos
sustentáveis. O GCF prestou apoio técnico e financeiro para o
desenvolvimento desse conceito e nosso Conselho, ao reunir-se no mês que
vem, estudará fazer um investimento substancial nesse novo banco.”
- Makhtar Diop, Diretor-Geral da IFC, disse: “Barbados está
redobrando os esforços para reforçar sua resiliência climática e se tornar
um líder de baixo carbono. A IFC continuará a trabalhar de perto com o país
e a colaborar com outras instituições multilaterais para acelerar o fluxo
de capital privado em apoio às ambições de Barbados”.