Washington, DC: O Conselho De Administração do Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a consulta Angola, ao abrigo do Artigo IV[1].
A economia de Angola se recuperou em 2024, com a recuperação do sector petrolífero. Estima-se que o crescimento do PIB tenha atingido 3,8 porcento, superando as projeções anteriores, e a recuperação extendeu-se ao sector não petrolífero. O rácio dívida pública/PIB diminuiu em 2024, beneficiando de um maior crescimento nominal do PIB e de excedentes fiscais primários sustentados. No entanto, os esforços de consolidação orçamental diminuíram e os amortecedores construídos durante o Programa de Financiamento Ampliado de 2018-21 estão a ser corroídos por derrapagens orçamentais decorrentes de despesas de capital mais elevadas e de uma reforma mais lenta dos subsídios aos cmbustíveis.
A inflação permaneceu elevada, impulsionada por pressões cambiais e preços mais elevados dos produtos alimentares. O banco central aumentou a taxa de política monetária em 150 pontos base em 2024 e simplificou a gestão da liquidez, resultando num melhor alinhamento da taxa interbancária com a taxa directora. A moeda se desvalorizou mais de 10 porcento em relação ao dólar americano em 2024. As expectativas adversas do mercado e um serviço da dívida externa elevado continuam a pesar sobre a taxa de câmbio. A gestão activa da tesouraria e da dívida do governo ajudou a mitigar as pressões de liquidez.
Espera-se que a recuperação prossiga, mas que os riscos para as perspectivas permanecem elevados. Espera-se que o crescimento permaneça em 3 porcento em 2025, enquanto projeta-se uma diminuição da inflação com o desaparecimento dos factores de pressão sobre os custos. A resolução dos gargalos de manutenção nos principais blocos de extração e os esforços liderados pelo governo para incentivar a produção devem ajudar a sustentar a produção de petróleo. No entanto, o elevado serviço da dívida externa limita as despesas de desenvolvimento e a dependência do petróleo continua a ser um obstáculo ao crescimento sustentável. O risco de liquidez poderá intensificar-se caso as condições de financiamento se deteriorem, reduzindo ainda mais as despesas sociais e exercendo pressões sobre a taxa de câmbio. Além disso, com as eleições presidenciais marcadas para 2027, um início antecipado do ciclo político ameaça abrandar a implementação das reformas económicas. Do lado positivo, os preços do petróleo mais elevados, as repercussões positivas de uma maior flexibilização da política monetária mundial e IDE não petrolífero mais fortes, nomeadamente através do desenvolvimento do Corredor do Lobito, poderão melhorar as perspectivas a médio prazo.
Avaliação do Conselho de Administração[2]
Os Administradores concordaram com o teor da avaliação do corpo técnico. Embora se congratulem com a recuperação económica, salientaram os riscos persistentes da volatilidade dos preços do petróleo e das vulnerabilidades da dívida. Neste contexto, os Administradores salientaram a urgência de acelerar as reformas estruturais para reforçar a estabilidade macroeconómica e financeira e promover um crescimento diversificado e inclusivo.
Os Administradores salientaram que o regresso a uma trajetória de consolidação orçamental é fundamental para reforçar os amortecedores e criar espaço para as necessidades de desenvolvimento. Salientaram a importância de implementar plenamente as reformas dos subsídios aos combustíveis, acompanhadas de medidas de atenuação destinadas a proteger os mais vulneráveis e da intensificação dos esforços de mobilização de‑receitas não petrolíferas. Os administradores aconselharam também a racionalização do investimento público e a melhoria da eficiência da despesa, em consonância com as recomendações do PIMA de 2019, o reforço da gestão das finanças públicas, incluindo o quadro de contratação pública e as reformas das empresas públicas, e a melhoria da gestão de tesouraria e da dívida para mitigar os riscos de liquidez e apoiar um regresso atempado aos mercados.
Os Administradores destacaram a necessidade de a política monetária manter um viés de restritivo para garantir uma desinflação duradoura. Apelaram às autoridades para que respeitem rigorosamente o limite máximo dos empréstimos públicos para salvaguardar as reservas internacionais e conter as pressões inflacionistas. Os Administradores acolheram com agrado os esforços das autoridades no sentido de racionalizar a gestão da liquidez a fim de melhorar a transmissão da política monetária, bem como de melhorar o funcionamento do mercado cambial e a flexibilidade cambial, como parte da transição para um quadro de metas de inflação.
Os Administradores do FMI sublinharam a necessidade de continuar a abordar as vulnerabilidades do sector financeiro. Instaram as autoridades a colmatar as insuficiências em matéria de CBC/FT, a fim de conseguir uma rápida saída da lista cinzenta do GAFI. Os Administradores salientaram a importância da implementação eficaz de novos regulamentos de supervisão e do desenvolvimento de um quadro robusto de estabilidade financeira, que inclua salvaguardas reforçadas. Aconselharam a resolução das vulnerabilidades remanescentes do nexo bancário-soberano, créditos malparados elevados e bancos problemáticos, e aguardam com expectativa a próxima avaliação do FSAP.
Os Administradores apoiaram o Plano de Desenvolvimento Nacional das autoridades para alcançar um crescimento mais diversificado e resiliente. A tónica principal deve ser colocada em políticas pro-mercados e orientadas em simplificar a regulamentação empresarial, reforçar a governação, combater a corrupção, desenvolver o capital humano e aprofundar a inclusão financeira. É igualmente necessária uma maior capacidade estatística para apoiar a elaboração de políticas sólidas.
Espera-se que a próxima consulta ao abrigo do Artigo IV com Angola tenha lugar no ciclo normal de 12 meses.
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Angola: Principais Indicadores Económicos, 2023–25
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2023
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2024
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2025
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Prel.
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Proj.
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Economia real (variação percentual, salvo indicação em contrário)
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Produto interno bruto real
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1.0
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3.8
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3.0
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Sector petrolífero
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-2.4
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3.2
|
0.3
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|
Sector não petrolífero
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2.2
|
3.9
|
3.4
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Produto interno bruto (PIB) nominal
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14.6
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33.3
|
24.3
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|
Sector petrolífero
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9.5
|
33.7
|
17.4
|
|
Sector não petrolífero
|
15.5
|
33.2
|
25.6
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|
Deflator do PIB
|
13.4
|
28.5
|
20.8
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Deflator do PIB não petrolífero
|
14.4
|
28.2
|
21.3
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|
Preços no consumidor (média anual)
|
13.6
|
28.2
|
21.0
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|
Preços no consumidor (fim do período)
|
20.0
|
27.5
|
18.9
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Administração central (percentagem do PIB)
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Total das receitas
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17.4
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16.6
|
16.0
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D/q: Petrolíferas
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10.3
|
10.0
|
9.7
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D/q: Impostos não petrolíferos
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6.1
|
5.6
|
5.0
|
|
Total de despesas
|
19.2
|
17.6
|
17.3
|
|
Despesas correntes
|
15.2
|
14.1
|
12.4
|
|
Despesas de capital
|
4.1
|
3.6
|
4.9
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|
Saldo orçamental global
|
-1.9
|
-1.0
|
-1.3
|
|
Saldo orçamental primário não petrolífero
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-6.4
|
-5.7
|
-7.2
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Moeda e crédito (fim de período, variação percentual)
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Agregado monetário (M2)
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37.8
|
30.6
|
38.5
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|
Em percentagem do PIB
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20.8
|
20.4
|
22.7
|
|
Velocidade (PIB/M2)
|
4.8
|
4.9
|
4.4
|
|
Velocidade (PIB/M2 não petrolífero)
|
4.1
|
4.1
|
3.8
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|
Crédito ao sector privado (variação percentual anual)
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28.8
|
28.1
|
27.0
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Balança de pagamentos
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|
Balança comercial (em percentagem do PIB)
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19.9
|
19.7
|
17.0
|
|
Exportações de bens, FOB (em percentagem do PIB)
|
33.6
|
33.1
|
31.5
|
|
D/q: Exportações de petróleo e gás (em percentagem do PIB)
|
31.6
|
30.9
|
28.6
|
|
Importações de bens, FOB (em percentagem do PIB)
|
13.8
|
13.4
|
14.5
|
|
Termos de troca (variação percentual)
|
-19.3
|
-4.0
|
-10.4
|
|
Saldo da conta corrente (em percentagem do PIB)
|
3.8
|
4.1
|
2.4
|
|
Reservas internacionais brutas (fim do período, em milhões de USD)
|
14,727
|
15,227
|
15,277
|
|
Reservas internacionais brutas (meses de importações do próximo ano)
|
7.3
|
7.3
|
7.3
|
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|
Taxa de câmbio
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|
Taxa de câmbio oficial (média, em kwanzas por USD)
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685
|
876
|
…
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Taxa de câmbio oficial (fim de período, em kwanzas USD)
|
829
|
924
|
…
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Dívida pública (em percentagem do PIB)
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Dívida (bruta) do sector público1
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71.4
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62.4
|
63.3
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D/q: Dívida da administração central
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67.9
|
60.4
|
61.9
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Sector Petrolífero
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Produção de petróleo e gás (milhões de barris por dia)
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1.205
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1.262
|
1.266
|
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Exportações de petróleo e gás (em mil milhões de USD)
|
34.7
|
35.4
|
31.5
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Preço do petróleo em Angola (média, em USD por barril)
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80.6
|
78.5
|
70.3
|
|
Preço do petróleo Brent (média, em USD por barril)
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82.3
|
80.0
|
71.4
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Fontes: Autoridades angolanas; e estimativas e projeções do corpo técnico do FMI.
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1 Inclui a dívida da Administração Central, dívida externa da petrolífera estatal Sonangol e da companhia aérea estatal TAAG, e dívida garantida.
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[1] Ao abrigo do Artigo IV do seu Convénio Constitutivo, o FMI mantém discussões bilaterais com os seus países membros, normalmente com uma periodicidade anual. Uma equipa de especialistas da instituição visita o país, recolhe informações de natureza económica e financeira e discute com os responsáveis a evolução e as políticas económicas do país. De regresso à sede do FMI, os especialistas elaboram um relatório, que constitui a base para as discussões do Conselho de Administração.
[2] Concluídas as discussões, a Directora-Geral, na qualidade de Presidente do Conselho, resume os pontos de vista dos Administradores do FMI e este resumo é transmitido às autoridades do país. Uma explicação dos termos eventualmente empregados no resumo pode ser consultada no endereço:: http://www.IMF.org/external/np/sec/misc/qualifiers.htm.