Conselho de Administração do FMI conclui a segunda avaliação no âmbito do acordo com a República Democrática de São Tomé e Príncipe ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado e aprova os pedidos de extensão e aumento do acordo
22 de dezembro de 2025
- O Conselho de Administração do FMI concluiu a segunda avaliação no âmbito do acordo com São Tomé e Príncipe ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado (ECF), permitindo o desembolso imediato de um montante aproximado de 2,9 milhões de dólares dos Estados Unidos, elevando o total dos desembolsos realizados ao abrigo do acordo para cerca de 13,7 milhões de dólares.
- Os desafios estruturais de São Tomé e Príncipe (designadamente o isolamento geográfico, a pequena dimensão do país, a exposição a riscos climáticos, a fraca capacidade das instituições, exportações limitadas e a perda de mão de obra devido à emigração) dificultam a promoção de um crescimento inclusivo, gerador de emprego e azul.
- O Conselho de Administração aprovou a prorrogação por 12 meses do acordo celebrado ao abrigo da ECF e um aumento do acesso de cerca de 6,1 milhões de dólares (30% da quota), elevando o acesso total para 155% da quota, a fim de fazer face aos desafios económicos e ao défice da balança de pagamentos.
Washington DC: O Conselho de Administração do FMI concluiu a segunda avaliação no âmbito do acordo com São Tomé e Príncipe ao abrigo da Facilidade de Crédito Alargado (ECF). A conclusão da segunda avaliação permite um desembolso imediato de um montante equivalente a aproximadamente 2,1 milhões de DSE (cerca de 2,9 milhões de dólares dos Estados Unidos), elevando o total dos desembolsos realizados ao abrigo do acordo da ECF para cerca de 13,7 milhões de dólares.
Os compromissos assumidos pelas autoridades nacionais ao abrigo do acordo da ECF aprovado a 19 de dezembro de 2024, que prevê um acesso total equivalente a 18,5 milhões de DSE (cerca de 25,3 milhões de dólares ou 125% da quota), destinam-se a apoiar o reequilíbrio económico e reforçar o crescimento a médio prazo. Os obstáculos estruturais de São Tomé e Príncipe – como o isolamento geográfico, a pequena dimensão do país, a elevada exposição a riscos climáticos, a fraca capacidade institucional, a base de exportação limitada e a constante redução da força de trabalho devido à emigração – colocam desafios à consecução de um crescimento gerador de emprego, inclusivo e azul.
Além disso, São Tomé e Príncipe enfrenta desafios decorrentes de uma demografia desfavorável, choques no fornecimento de eletricidade e atrasos na transição energética. Como consequência, as previsões de crescimento do PIB foram revistas em baixa, de 2,9% para 2,1%, a inflação deverá desacelerar mais lentamente e prevê-se um aumento do défice da balança de pagamentos. Neste contexto, as autoridades solicitaram uma prorrogação por 12 meses do acordo ao abrigo da ECF, juntamente com um aumento do acesso equivalente a 4,44 milhões de DSE (cerca de 6,1 milhões de dólares, ou 30% da quota), elevando o acesso total para 155% da quota. Este pedido está associado a uma trajetória de consolidação orçamental mais gradual e menos concentrada na fase inicial do programa.
O desempenho ao abrigo do acordo da ECF tem sido amplamente satisfatório, tendo sido cumpridos quatro dos seis critérios de desempenho quantitativos definidos para o final de junho de 2025. O Conselho de Administração aprovou o pedido de dispensa apresentado relativamente ao incumprimento de dois critérios de desempenho no final de junho de 2025, tendo em conta a natureza menor e temporária do desvio em relação ao saldo primário interno, afetado por um choque no setor energético, bem como as medidas corretivas relativas ao limite máximo para a acumulação de novos pagamentos externos em atraso da administração central. No domínio estrutural, dos quinze indicadores de referência avaliados, cinco foram cumpridos, três foram convertidos em ações prévias e um foi executado com atraso.
No seguimento da reunião do Conselho de Administração, Bo Li, Diretor-Geral Adjunto e Presidente interino do Conselho, emitiu a seguinte declaração:
“O desempenho de São Tomé e Príncipe no âmbito do acordo da ECF tem sido amplamente satisfatório. As autoridades registaram progressos nas reformas estruturais, incluindo a adoção de uma estratégia abrangente de mobilização de receitas internas e a apresentação do projeto de Lei das Instituições Financeiras à Assembleia Nacional. Contudo, a recuperação económica de São Tomé e Príncipe enfrenta fatores adversos decorrentes de tendências demográficas desfavoráveis, de uma crise energética e de atrasos na transição energética. As previsões de crescimento do PIB foram revistas em baixa, enquanto a inflação permanece persistentemente elevada. Estes choques aumentaram o défice da balança de pagamentos, justificando uma trajetória de consolidação orçamental mais gradual e menos concentrada na fase inicial do programa. Apesar destes desafios, as perspetivas a médio prazo mantêm-se globalmente positivas, desde que as reformas no setor energético sejam implementadas com firmeza e apoiadas por um envolvimento sustentado dos doadores para promover a transição energética e a reestruturação da empresa de serviços públicos.
As autoridades nacionais comprometem-se a implementar vigorosamente a sua estratégia de mobilização de receitas internas com vista a apoiar a consolidação orçamental. As principais medidas incluem o reforço da administração do IVA, o reequilíbrio da composição das receitas públicas, reduzindo o peso dos direitos aduaneiros em benefício dos impostos especiais de consumo, e o aumento da capacidade global da administração tributária. A consolidação orçamental será complementada por reformas destinadas a reforçar a gestão das finanças públicas para aumentar a transparência, a prestação de contas e a eficiência da despesa pública.
Para fazer face às pressões inflacionistas persistentes, as autoridades nacionais estão determinadas em adotar uma política monetária mais restritiva. A nomeação de todos os membros do novo Conselho de Administração do Banco Central de São Tomé e Príncipe constitui uma prioridade urgente, a fim de operacionalizar plenamente a nova lei orgânica do banco central e implementar as principais recomendações em matéria de salvaguardas.
As autoridades adotaram uma nova Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável, formulada através de um processo inclusivo. A forte ênfase da estratégia na melhoria do capital humano, no reforço da sustentabilidade orçamental e no reforço da proteção social está estreitamente alinhada com as prioridades do programa apoiado pela Facilidade de Crédito Alargado.”
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Quadro 1. São Tomé e Príncipe: Principais indicadores económicos, 2024–2028 (Variação percentual anual, salvo indicação em contrário)
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