Washington, DC:
Num contexto de abrandamento mundial,
prevê-se que o crescimento na África Subsariana desacelere para 3,6%
antes de recuperar para 4,2% em 2024, em consonância com uma recuperação
mundial, uma descida da inflação e uma redução da restritividade da
política monetária, de acordo com as mais recentes perspetivas económicas
regionais do FMI para a África Subsariana hoje publicadas. Este será o
segundo ano consecutivo em que a África Subsariana regista uma taxa de
crescimento inferior à do ano anterior.
“O crescimento na região varia de país para país. Alguns países,
especialmente os da Comunidade da África Oriental ou países ricos em
recursos naturais não petrolíferos, deverão apresentar melhores resultados,
mas algumas das principais economias provocam a diminuição da taxa média de
crescimento da África Subsariana, como a África do Sul, onde se prevê que o
crescimento desacelere acentuadamente para apenas 0,1% em 2023”, afirmou
Abebe Aemro Selassie, Diretor do Departamento de África do FMI.
A dívida pública e a inflação situam-se em níveis
que não se verificavam há décadas, com uma inflação de dois dígitos em
metade dos países – o que reduz o poder de compra das famílias e prejudica
fortemente os mais vulneráveis.
A rápida intensificação da restritividade da política monetária mundial
aumentou os custos de financiamento dos países da África Subsariana,
tanto nos mercados nacionais como internacionais
. Todos os mercados de fronteira da África Subsariana ficaram sem acesso
aos mercados financeiros desde a primavera de 2022. No ano passado, a taxa
de câmbio efetiva do dólar dos Estados Unidos
atingiu um máximo histórico de 20 anos, o que levou ao aumento dos encargos
associados ao serviço da dívida denominada nesta moeda. Os pagamentos de
juros em percentagem das receitas duplicaram no país médio da África
Subsariana ao longo da última década.
Com a redução dos orçamentos da ajuda e menores fluxos de entrada dos
parceiros, esta situação está a provocar uma grande contração do
financiamento para a região.
“As populações na África Subsariana estão a sentir os efeitos de uma crise
de financiamento. Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, o custo de vida é
mais elevado, os custos de financiamento aumentaram e o acesso a
financiamento mais barato está a tornar-se escasso”, afirmou Abebe Aemro
Selassie.
“Associado a um declínio a longo prazo da ajuda e a uma diminuição mais
recente do investimento dos parceiros, isto significa que há menos dinheiro
para gastar em serviços essenciais como a saúde, a educação e as
infraestruturas. Se não forem tomadas medidas, esta contração do
financiamento prejudicará os esforços da África Subsariana para criar uma
população instruída e qualificada e tornar-se a força motriz da economia
mundial nos próximos anos”, acrescentou.
O FMI está a desempenhar o seu papel e está pronto a apoiar os seus
membros. Entre 2020 e 2022, disponibilizámos mais de 50 mil milhões de dólares dos Estados Unidos
através de programas, financiamento de emergência e dotação de direitos de
saque especiais. Em apenas dois anos, o FMI concedeu mais do dobro do
montante desembolsado em qualquer década desde os anos 90. E, no mês
passado, o FMI celebrou acordos de concessão de empréstimo com 21 países da
região, estando a ser analisados mais pedidos ao abrigo de programas.
A África Subsariana está longe de se encontrar numa situação de impotência.
Para enfrentar os desequilíbrios macroeconómicos, Abebe Aemro Selassie
salientou quatro prioridades.
Em primeiro lugar, é importante consolidar as finanças públicas e reforçar
a gestão das finanças públicas num contexto de
condições de financiamento difíceis. Para tal, as autoridades deverão
continuar a mobilizar as receitas públicas, melhorar a gestão dos riscos
orçamentais e gerir a dívida de forma mais proativa. Para os países que
necessitam de reformular ou reestruturar a dívida, é imperativo que
elaborem um quadro de resolução da dívida eficaz para criar espaço
orçamental.
Em segundo lugar, conter a inflação. A política monetária deve ser
executada com prudência até que a inflação adopte uma trajetória claramente
descendente e as projeções da inflação regressem ao intervalo definido pelo
banco central.
Em terceiro, permitir um ajustamento da taxa de câmbio, mitigando
simultaneamente os efeitos adversos das depreciações cambiais na economia,
tais como o aumento da inflação e da dívida.
E por último, garantir que os esforços importantes para combater as
alterações climáticas não colocam em segundo plano o financiamento
destinado a setores essenciais, como a saúde e a educação. O financiamento
da ação climática disponibilizado pela comunidade internacional deve
somar-se aos atuais fluxos de ajuda.
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O vídeo e o áudio da entrevista com Abebe Aemro Selassie, Diretor do
Departamento de África do FMI, podem ser consultados
aqui
.
Para mais pormenores, ver as Perspetivas Económicas Regionais: África
Subsariana, “A grande contração do financiamento” (LINK) e as notas
analíticas que as acompanham.
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Fragmentação geoeconómica: África Subsariana presa entre
fragilidades
mostra que a África Subsariana é a região que mais tem a perder num
mundo muito fragmentado e sublinha a necessidade de reforçar a
resiliência.
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Gerir as pressões cambiais na África Subsariana – adaptar-se às
novas realidades
descreve os fatores impulsionadores e as consequências das recentes
pressões cambiais e discute as políticas destinadas a atenuar o impacto
nas economias da região.
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Colmatar o fosso: A África Subsariana e o financiamento da ação
climática em condições concessionais
considera a necessidade crítica de financiamento em condições
concessionais para ajudar a região a fazer face às alterações
climáticas e explora as formas de mobilização de fluxos adicionais.