Washington, DC: Aproveitando o Fundo
Fiduciário para a Resiliência e Sustentabilidade (RSF) do Fundo Monetário
Internacional, o Governo de Ruanda, em conjunto com a Agence française de
développement (AFD), o Banco Europeu de Investimento (BEI), a Cassa
Depositi e Prestiti (CDP) e a Corporação Financeira Internacional (IFC),
estão anunciando hoje uma abordagem cooperativa para facilitar parcerias
público‑privadas, aumentar o financiamento climático e atrair investimentos
climáticos privados que mobilizarão mais 300 milhões de euros para aumentar
a resiliência climática em Ruanda.
Esse novo apoio complementa e aproveita o montante de US$ 319 milhões em
financiamento obtido pelo governo de Ruanda graças a um acordo no âmbito do
Fundo Fiduciário para a Resiliência e Sustentabilidade (Resilience and
Sustainability Facility, RSF) com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Essa parceria inovadora, revelada na Cúpula para um Novo Pacto de
Financiamento Global, em Paris, faz parte dos esforços atuais da comunidade
internacional para remodelar a arquitetura do financiamento climático
mundial, que buscam, entre outros objetivos, ir além dos projetos de
pequena escala e visar a investimentos de longo prazo significativos que
alavanquem os mecanismos existentes para facilitar parcerias
público-privadas e atrair investimentos do setor privado.
Cumpre destacar que esse apoio colaborativo respaldará os esforços de
Ruanda para fazer face ao impacto das mudanças climáticas em comunidades
vulneráveis e fortalecer o efeito catalisador do acordo ao abrigo do RSF com
o FMI (atraindo mais apoio de parceiros ao orçamento), iniciar uma
abordagem programática para os investimentos climáticos e ampliar o Ireme
Invest – o mecanismo de investimento singular e inovador de Ruanda dedicado
ao investimento verde do setor privado, lançado por Sua Excelência o
Presidente Paul Kagame em novembro de 2022, na 27.ª Conferência das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), no Egito.
Uma abordagem com três pilares
Os parceiros internacionais apoiarão os esforços de Ruanda para acelerar os
investimentos climáticos por meio de ações em três pilares:
1. Reformas de política para fazer face aos desafios desencadeados
pelas mudanças climáticas;
2. Iniciativas de desenvolvimento das capacidades; e
3. Acordos de financiamento.
As medidas nessas três áreas devem fortalecer e institucionalizar o
monitoramento e a prestação de contas dos gastos relacionados ao clima,
integrar os riscos climáticos no planejamento fiscal, melhorar a
sensibilidade da gestão dos investimentos públicos a questões relacionadas
ao clima, fortalecer a gestão de riscos relacionados ao clima para as
instituições financeiras e reforçar a redução e gestão de riscos de
desastres.
Os parceiros também se comprometeram a apoiar as iniciativas de
desenvolvimento das capacidades de Ruanda, e a ajudar a atrair e administrar
melhor o capital climático adicional. Como parte dessa abordagem
colaborativa, os parceiros se comprometeram a consolidar e mobilizar os
seguintes recursos de financiamento climático para Ruanda:
Apoio programático ao orçamento para a gestão verde das finanças
públicas
A AFD está concedendo um apoio programático ao orçamento no montante de 50
milhões de euros, acompanhado de um subsídio de assistência técnica de 3
milhões de euros, com o desembolso inicial previsto para 2023. Essa
contribuição financeira será complementar e adicional à matriz de reformas
do programa apoiado pelo RSF, ao trabalho para tornar os investimentos e as
compras públicas mais verdes e ao fortalecimento da estrutura de
Monitoramento, Reporte e Verificação (MRV) de Ruanda. A assistência técnica
também apoiará a implementação do roteiro para as finanças sustentáveis de
Ruanda, com vistas a aumentar a mobilização do setor privado em apoio à
ação climática.
Uma nova abordagem programática para investimentos nas Contribuições
Nacionalmente Determinadas (NDC)
A Corporação Financeira Internacional, em parceria com o governo de Ruanda,
representado pelo Fundo Verde de Ruanda (FONERWA), formulará planos de
investimento de longo prazo para a agricultura inteligente em relação ao
clima e para a urbanização sustentável. O objetivo é aumentar a
contribuição do setor privado para a ecologização da economia de Ruanda.
Ampliação do Ireme Invest para investimentos do setor privado
Lançado na COP27, o Ireme Invest é um mecanismo de investimento verde que
conta com o apoio do Fundo Verde de Ruanda (FONERWA) e do Banco de
Desenvolvimento de Ruanda (BRD, na sigla em francês) e foi desenvolvido com
assistência técnica do Banco Mundial. Atualmente, o BRD está finalizando a
identificação de uma série de projetos privados estimados em 400 milhões de
euros, com base num conjunto comum de critérios, na governança e num
mecanismo de prestação de contas com os seus colaboradores financeiros para
o Ireme Invest.
· O governo de Ruanda apoiará a ampliação do acesso a financiamento
verde para o setor privado, para permitir que o BRD aumente ainda mais a
sua carteira de empréstimos para o setor privado a juros acessíveis.
· O Banco Europeu de Investimento deve fornecer 100 milhões de euros
com o apoio da União Europeia. Esse apoio é concedido no âmbito da
estratégia Global Gateway, a proposta positiva da UE de oferecer conexões
sustentáveis e confiáveis com países parceiros e construir sociedades mais
resilientes para as pessoas e o planeta.
· A Cassa Depositi e Prestiti, a instituição italiana de financiamento
do desenvolvimento, está discutindo com o governo de Ruanda e o BRD ações
conjuntas para ampliar o financiamento climático, unindo investimentos
públicos e privados.
Para apoiar ainda mais a criação de ativos verdes privados em Ruanda, as
partes interessadas privadas do Ireme Invest também contribuirão
diretamente o equivalente a 130 milhões de euros em capital privado
próprio. A criação de novos ativos verdes privados também abre as portas
para futuras emissões de instrumentos de dívida inovadores, tanto nos
mercados locais como nos internacionais, o que atrairá ainda mais o
investimento privado.
A iniciativa coordenada para aumentar o financiamento climático, combinada
com as reformas de política previstas no acordo RSF do FMI e com o apoio do
FMI para o desenvolvimento das capacidades, permitirá que Ruanda resista
melhor aos choques econômicos e se adapte às mudanças climáticas. Essa
colaboração singular entre o governo de Ruanda e os parceiros internacionais
exemplifica o poder das parcerias para enfrentar desafios globais prementes.
Além disso, estabelece um precedente para que outros países e instituições
financeiras explorem mecanismos de financiamento inovadores e unam forças na
busca por um mundo sustentável e resiliente ao clima.
Ela também se soma ao substancial apoio financeiro e técnico prestado pelo
Banco Mundial (por intermédio da Associação Internacional de
Desenvolvimento, IDA) para apoiar os esforços de Ruanda no sentido de
aumentar sua resiliência climática e proteger os seus ativos naturais,
sobretudo em comunidades vulneráveis, destravar investimentos privados e
promover o comércio e as finanças verdes, além das contribuições
financeiras dos governos da Alemanha, Reino Unido, Suécia e Dinamarca para
os objetivos do plano de ação climática de Ruanda relacionado às NDC.
Comentários
“A parceria que anunciamos hoje representa uma mudança transformadora na
concessão de financiamento climático e é um voto de confiança na estratégia
de ação climática de longo prazo de Ruanda. Trata-se de um marco importante
em nossa jornada para alcançar nossas Contribuições Nacionalmente
Determinadas, estimadas em US$ 11 bilhões, até 2030. Agradecemos a todos os
parceiros que aderiram a essa iniciativa e vamos trabalhar juntos para
torná-la realidade.” — Dr. Edouard Ngirente, Primeiro-Ministro de Ruanda.
“O anúncio de hoje é uma prova do compromisso de Ruanda com a
sustentabilidade, amplamente reconhecido e aplaudido no cenário mundial.
Mostra também como a estreita colaboração entre parceiros internacionais e
nacionais no contexto de reformas climáticas vigorosas no âmbito do RSF
pode ampliar o financiamento climático, oferecendo um modelo para acelerar
o investimento e, assim, proporcionar um futuro mais verde e mais próspero
em todo o mundo.” — Kristalina Georgieva, Diretora-Geral do Fundo Monetário
Internacional.
“O acordo de hoje com Ruanda ilustra como a união de forças em parcerias
internacionais é o único caminho para fazer face à crise climática. A União
Europeia e os seus Estados-membros são o maior provedor mundial de
financiamento climático público, e continuamos empenhados em seguir uma
abordagem multilateral. Por meio da estratégia Global Gateway e junto com
nossos aliados, envidamos todos os esforços para reduzir o déficit de
investimento e apoiar os países parceiros, sobretudo na África, para mitigar
as mudanças climáticas e adaptar-se a elas. Nossa ambição é uma transição
verde que seja justa para os mais vulneráveis.” — Jutta Urpilainen,
Comissária Europeia para Parcerias Internacionais.
“A estreita cooperação entre o governo de Ruanda, o FMI, os parceiros
financeiros internacionais e o BEI está aproveitando o potencial dos
Direitos Especiais de Saque para promover a ação climática. O uso
estratégico dos DES ampliará consideravelmente o impacto dos investimentos
na ação climática no país, abrindo caminho para um futuro mais verde e
próspero. Essa iniciativa representa o forte compromisso do BEI de
enfrentar as mudanças climáticas e apoiar o desenvolvimento sustentável em
Ruanda e no resto do mundo.” — Werner Hoyer, Presidente do Banco Europeu de
Investimento.
“Com uma perspectiva inovadora, esta parceria maximizará o limitado
financiamento público para canalizar capital privado para projetos
relacionados ao clima. A IFC trabalhará com o governo de Ruanda para
desenvolver um conjunto de projetos de investimento para construir uma
economia resiliente e de baixo carbono entre as comunidades mais
vulneráveis, com atenção para cidades sustentáveis e agricultura
inteligente em relação ao clima.” — Makhtar Diop, Diretor-Geral da IFC.
“Em pouquíssimos anos, a AFD e os atores do ecossistema financeiro de
Ruanda se envolveram numa sólida cooperação sobre financiamento climático e
a visão do país para alinhar os seus fluxos de investimento público e
privado com a sua ambiciosa estratégia para as mudanças climáticas.” — Remy
Rioux, Diretor-Geral da Agence Française de Développement.